Organização alerta que os números devem subir após o vírus circular sem ser detectado por semanas.
A Organização Mundial da Saúde informou, nesta quarta-feira (20), que o surto de Ebola na República Democrática do Congo já soma cerca de 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas. A entidade alerta que os números devem aumentar, já que o vírus circulou por semanas antes de ser identificado oficialmente no país e em Uganda.
O surto é causado pela cepa Bundibugyo, uma forma rara do vírus Ebola. Segundo a OMS, 51 casos foram confirmados por exames laboratoriais na República Democrática do Congo, principalmente nas províncias de Ituri e Kivu do Norte. Uganda também registrou dois casos confirmados em Kampala, incluindo uma morte, em pessoas que haviam viajado da República Democrática do Congo.
Na terça-feira (19), o Comitê de Emergência da OMS se reuniu em Genebra e confirmou que o surto representa uma emergência de saúde pública de importância internacional. Apesar da gravidade, a entidade afirmou que a situação não configura uma emergência pandêmica. O risco é considerado alto em nível nacional e regional, mas baixo em escala global.
A OMS afirma que a prioridade agora é identificar todas as cadeias de transmissão, isolar casos confirmados e monitorar pessoas que tiveram contato com infectados. A preocupação dos especialistas é que o vírus tenha se espalhado sem ser detectado em uma região marcada por conflitos, deslocamentos populacionais e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
O primeiro caso suspeito conhecido foi de um profissional de saúde que apresentou sintomas em 24 de abril e morreu posteriormente em um centro médico em Bunia, capital da província de Ituri. A OMS recebeu alerta sobre uma “doença desconhecida” de alta mortalidade em 5 de maio, mas o surto só foi confirmado como vírus Bundibugyo em 15 de maio.
Diferente de outras cepas do Ebola, ainda não há vacina aprovada especificamente contra o vírus Bundibugyo. Segundo a OMS, uma vacina direcionada a essa cepa pode levar de seis a nove meses para ficar disponível, enquanto outras alternativas em avaliação ainda dependem de dados de eficácia.
O Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, além de materiais contaminados. A cepa Bundibugyo tem taxa média de mortalidade estimada em cerca de 40%, segundo a OMS. A organização recomenda que países não fechem fronteiras nem imponham restrições amplas de viagem, para evitar deslocamentos informais sem monitoramento.