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ONGs condenam Israel pelos assassinatos de jornalistas em Gaza

Dois jornalistas palestinos são mortos por drones israelenses durante a cobertura do conflito

25 de Marco de 2025
Foto: Sindicato dos Jornalistas da Palestina / Divulgação

Organizações não governamentais (ONGs) que defendem a liberdade de expressão e o trabalho da imprensa condenaram Israel pelos assassinatos de dois jornalistas na Faixa de Gaza, incluindo o profissional da TV Al-Jazeera, Hossam Shabat. 

A ONG Repórteres sem Fronteira (RSF) acusou o governo israelense de promover um “apagão da mídia”, com cerca de 200 profissionais de mídia mortos em Gaza desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023, incluindo 43 jornalistas alvejados enquanto estavam em atividade. 

A RSF fez um apelo à comunidade internacional, solicitando que pressionasse Israel para interromper o "massacre de jornalistas palestinos". O comunicado foi publicado nesta terça-feira (25). 

Hossam Shabat, de 23 anos, foi morto por um drone israelense enquanto estava a bordo de um veículo no norte de Gaza na tarde de segunda-feira (24). Hossam era um dos poucos jornalistas presentes no norte da região e um dos nomes mais reconhecidos da imprensa local. Após sua morte, a equipe de Hossam publicou nas redes sociais uma mensagem que ele havia preparado para quando fosse morto por Israel. 

"Se você está lendo isso, significa que fui morto - provavelmente um alvo - pelas forças de ocupação israelenses. Nos últimos 18 meses, dediquei cada momento da minha vida ao meu povo. Documentei os horrores no norte de Gaza minuto a minuto, determinado a mostrar ao mundo a verdade que eles tentaram enterrar", escreveu. 

Além de Shabat, também foi assassinado o jornalista da TV Palestine Today, Mohammad Mansour, conforme informado pelo Sindicato de Jornalistas Palestinos. 

O Comitê de Proteção de Jornalistas (CPJ) também condenou os assassinatos e pediu que a comunidade internacional tomasse medidas rápidas para garantir a segurança dos jornalistas e responsabilizar Israel pelas mortes de Shabat e Mansour. "Jornalistas são civis e é ilegal atacá-los em uma zona de guerra", declarou Carlos Martinez de la Serna, diretor de programa do CPJ em Nova York. 

Apagão da mídia e acusações israelenses 

A RSF acusa Israel de promover um "apagão da mídia" com a morte de mais de 200 jornalistas. A organização já havia apresentado queixas ao Tribunal Penal Internacional (TPI) desde 2023, em razão dos crimes de guerra cometidos contra jornalistas. 

Israel, por sua vez, acusou Shabat de ser um atirador de elite do Hamas e de realizar ataques contra tropas e civis israelenses. As Forças de Defesa de Israel (FDI) divulgaram um comunicado alegando que Shabat era um “terrorista atirador” disfarçado de jornalista da Al-Jazeera, afirmando que ele estava vinculado ao Hamas. 

A RSF e o CPJ rejeitaram essas alegações, argumentando que não há provas substanciais para apoiar as acusações e que elas não podem justificar os assassinatos dos jornalistas. "Shabat disse ao CPJ em outubro que não era membro do Hamas", afirmou o CPJ, destacando que o único crime de Shabat era "transmitir a imagem e a verdade". 

 

Com informações da Agência Brasil.

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