Decisão afeta Harvard e mira especialmente alunos chineses, gerando tensão internacional.
O Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos acusou nesta sexta-feira (23) a administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tentar “limitar o debate e os protestos pacíficos” dentro de universidades norte-americanas.
A agência da ONU expressou forte preocupação com a repressão às manifestações e também com medidas de intimidação promovidas contra estudantes.
Na última quinta-feira (22), o governo norte-americano estabeleceu um prazo de 72 horas para que a Universidade de Harvard entregue os registros de estudantes estrangeiros matriculados nos últimos cinco anos. O objetivo, segundo as autoridades, é obter provas de um suposto envolvimento desses estudantes em “atividades violentas”, como participação em protestos.
O governo dos EUA informou que somente após o envio dessa documentação a autorização para que Harvard aceite novos alunos estrangeiros será restabelecida.
Atualmente, estudantes internacionais correspondem a mais de 25% do total de matriculados na universidade, que tem sedes em Cambridge e Boston, no estado de Massachusetts.
A suspensão da permissão foi justificada pela alegação de que Harvard estaria facilitando a entrada de estrangeiros com perfis considerados “antiamericanos ou pró-terrorismo”.
Em entrevista à agência EFE, em Genebra, a porta-voz do Alto-Comissariado, Liz Throssell, defendeu que “a liberdade de expressão é fundamental para a sociedade, especialmente quando existem divergências profundas sobre questões importantes”.
Ela ressaltou que tais divergências “nunca devem ser confundidas com incitamento à violência ou ao ódio”, criticando duramente a postura do governo norte-americano.
China reage e condena a medida dos Estados Unidos
A decisão americana também atingiu diretamente cidadãos chineses. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos citou supostas conexões de estudantes e visitantes com o Partido Comunista Chinês como parte da justificativa para a medida.
Em resposta, o governo da China afirmou que “deplora a decisão e se opõe firmemente à politização dos intercâmbios educativos”.
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, reforçou que “a cooperação educativa entre a China e os Estados Unidos é mutuamente benéfica”, e afirmou que “a China rejeita ataques e difamações infundadas contra o país”.
Ning também garantiu que “Pequim protegerá firmemente os direitos e interesses legítimos dos estudantes e acadêmicos chineses no exterior”, elevando a tensão diplomática entre os dois países.
Caso a decisão não seja revertida, aproximadamente 7 mil estudantes internacionais matriculados em Harvard podem perder seu status de residência nos Estados Unidos. Segundo estimativas, cerca de 20% desses alunos são cidadãos chineses.
Com informações da Agência Lusa.