Organização afirma que proposta fragmentaria Cisjordânia e ameaça Estado palestino.
O Escritório de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta sexta-feira (15) que o plano de Israel para construir milhares de casas entre um assentamento na Cisjordânia e Jerusalém Oriental é ilegal segundo o direito internacional. A entidade alertou que a iniciativa colocaria palestinos vizinhos em risco de despejo forçado, o que configuraria crime de guerra.
O ministro israelense das Finanças, Bezalel Smotrich, de extrema-direita, afirmou na quinta-feira (14) que pretende avançar com o projeto, há anos adiado, e que a medida “enterraria” a possibilidade de criação de um Estado palestino.
Para a ONU, a proposta dividiria a Cisjordânia em enclaves isolados, prejudicando a continuidade territorial e violando normas que proíbem uma potência ocupante de transferir sua própria população civil para o território ocupado.
Atualmente, cerca de 700 mil colonos israelenses vivem entre 2,7 milhões de palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Israel anexou Jerusalém Oriental em 1980, ato não reconhecido pela maioria da comunidade internacional, e mantém a Cisjordânia sob controle, sem formalizar a anexação.
A maior parte das potências mundiais considera que a expansão de assentamentos compromete a viabilidade de uma solução de dois Estados, ao fragmentar o território que os palestinos reivindicam para formar um país independente.
O plano de paz internacional prevê um Estado palestino englobando Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Gaza, lado a lado com Israel, que conquistou essas áreas na guerra de 1967.
Israel, por sua vez, argumenta que possui laços históricos e bíblicos com a região e defende que os assentamentos garantem profundidade estratégica e segurança, além de considerar a Cisjordânia como “disputada” e não “ocupada”.
Com informações da Reuters.