Ações interagências e logístico-humanitárias das Forças Armadas contribuem para a segurança, proteção ambiental e melhoria das condições de vida na Terra Indígena Yanomami.
A Operação Catrimani II completou um ano de atuação no combate ao garimpo ilegal e no apoio às comunidades indígenas Yanomami. Desde abril de 2024, militares da Marinha do Brasil (MB), do Exército Brasileiro (EB) e da Força Aérea Brasileira (FAB) atuam de forma integrada, coordenados pela Casa de Governo, no enfrentamento da crise humanitária e no cumprimento do Plano de Desintrusão da Terra Indígena Yanomami (TIY). A operação envolveu diversas agências governamentais e órgãos de segurança pública, e seus resultados destacam a eficiência das ações interagências para a proteção do meio ambiente e dos povos originários.
Ações repressivas e resultados no combate ao garimpo ilegal
As ações repressivas da operação focaram em combater o garimpo ilegal e a presença humana não autorizada dentro da TIY. A coordenação entre as Forças Armadas e outros órgãos governamentais resultou em mais de 4.510 operações realizadas ao longo do ano, com 22.642 abordagens e 2.851 autuações e notificações. O prejuízo estimado ao garimpo ilegal ultrapassa os R$ 345 milhões.
Entre os principais resultados, destacam-se a destruição de 508 acampamentos ilegais, a apreensão de 33 aeronaves e a inutilização de 53 pistas de pouso ilegais. Além disso, 186 mil litros de combustível, 123 balsas e dragas e 192 veículos foram retirados de circulação, dificultando as atividades de garimpeiros. A operação também resultou na prisão de 176 pessoas envolvidas com atividades ilícitas.
O impacto no meio ambiente foi visível: a atividade de garimpo ilegal foi reduzida em 94,11%, conforme dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM). Pela primeira vez desde 2023, o IBAMA não registrou alertas de desmatamento na TIY. A qualidade da água dos rios da região melhorou consideravelmente, com a retirada de 227 kg de mercúrio, o que permitiu aos Yanomami retomar a prática de pesca e o consumo de água potável.
As Forças Armadas também empregaram tecnologias avançadas, como Equipamentos de Visão Noturna (EVN), drones com câmeras infravermelhas e patrulhas fluviais, para garantir a eficácia das operações, mesmo durante a noite. Mais de 30 mil km de rios foram patrulhados em um ano de operação.
Apoio logístico-humanitário às Comunidades Yanomami
Além das ações repressivas, a Operação Catrimani II tem se destacado por suas ações logístico-humanitárias. As Forças Armadas têm colaborado com agências governamentais para melhorar as condições de vida das comunidades Yanomami, transportando materiais e recursos para um território de 96 mil km². Entre os itens transportados estão perfuratrizes para poços artesianos, geradores e materiais para a construção de Unidades Básicas de Saúde.
Operação Catrimani II
Um projeto notável é o fornecimento de energia solar para as comunidades Yanomami, com o transporte de nove kits de placas fotovoltaicas, abrangendo aproximadamente 4.000 km. Essa iniciativa, em parceria com os Ministérios da Saúde e das Minas e Energia, visa reduzir a dependência de geradores e melhorar a sustentabilidade energética na região.
As Forças Armadas também contribuíram com mais de 29 mil atendimentos médicos e odontológicos à população Yanomami, incluindo seis evacuações aeromédicas em situações de emergência. A Marinha do Brasil, por meio de Navios de Assistência Hospitalar, também prestou apoio médico às comunidades ribeirinhas.
Operação Catrimani II
Estrutura de apoio e presença permanente
A presença das Forças Armadas no interior da TIY foi fortalecida com a construção de duas Bases de Apoio Interagências, em Pakipali, no rio Uraricoera, e em Kayanaú, no rio Mucajaí. Essas bases, juntamente com a instalação de barreiras fluviais e o Destacamento Especial de Fronteira do Exército, garantiram a segurança e o suporte logístico necessário para a continuidade das operações.
Além disso, a Marinha do Brasil desempenhou um papel significativo no patrulhamento fluvial, com destaque para o navio de Aviso Hidroceanográfico Fluvial Rio Negro, que realizou sondagens no rio Catrimani, fornecendo dados cruciais para o planejamento de futuras operações.
Resultados e compromisso com os Povos Indígenas
Ao longo de um ano, a Operação Catrimani II demonstrou a capacidade das Forças Armadas e de diversos órgãos governamentais em atuar de forma coordenada para proteger a Terra Indígena Yanomami, combater crimes ambientais e fornecer apoio logístico e humanitário. A redução significativa da atividade de garimpo ilegal, aliada à melhoria nas condições de vida da população Yanomami, evidenciam o sucesso da operação.
A atuação das Forças Armadas e agências governamentais reafirma o compromisso do Brasil com a proteção da Amazônia e dos povos indígenas, em cumprimento à Portaria GM-MD Nº5.831, de 20 de dezembro de 2024, que visa prevenir e reprimir o garimpo ilegal e os crimes ambientais na Terra Indígena Yanomami.
COMANDO CONJUNTO CATRIMANI II
A Operação Catrimani II é uma ação conjunta entre órgãos de segurança pública, agências e Forças Armadas, coordenada pela Casa de Governo no Estado de Roraima. A operação tem como objetivo combater o garimpo ilegal, os ilícitos transfronteiriços e os crimes ambientais na Terra Indígena Yanomami, por meio de ações preventivas e repressivas, contribuindo para a proteção dos direitos dos povos indígenas e da preservação ambiental.