Polícia Civil do Distrito Federal investiga uso de empresas de fachada, transferências via Pix e fintechs para movimentar dinheiro de apostas clandestinas em seis unidades da federação.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Azzardo, que investiga um esquema de exploração ilegal de apostas on-line e suspeita de lavagem de dinheiro. A ação ocorre no Distrito Federal e em cinco estados brasileiros, com mandados de busca e apreensão e medidas de bloqueio patrimonial que podem chegar a R$ 3,483 bilhões. Segundo as investigações, a organização teria movimentado centenas de milhões de reais por meio de empresas de fachada utilizadas para receber e redistribuir pagamentos de apostadores.
As investigações começaram há aproximadamente cinco meses, após um alerta da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda sobre plataformas de apostas que funcionavam sem autorização federal. De acordo com a polícia, os pagamentos realizados pelos usuários eram direcionados, por meio de transferências via Pix, a dezenas de empresas registradas com atividades comerciais sem qualquer relação com apostas. Entre os estabelecimentos identificados estavam uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de artigos de tarô, ambas localizadas em Sobradinho, no Distrito Federal.
Durante as diligências, os investigadores encontraram imóveis vazios e endereços comerciais utilizados para registrar empresas que, segundo a polícia, não exerciam as atividades declaradas. O dinheiro recebido era concentrado em contas bancárias e posteriormente distribuído entre pessoas físicas, empresas e instituições de pagamento. A suspeita é de que essa estrutura tenha sido montada para dificultar o rastreamento dos recursos e ocultar a verdadeira origem dos valores.
A operação também investiga a participação da fintech A55 Sociedade de Crédito, sediada em São Paulo e autorizada pelo Banco Central a funcionar como sociedade de crédito direto. Conforme a apuração, a instituição mantinha contas utilizadas por empresas suspeitas de receber pagamentos relacionados às plataformas clandestinas. Informações financeiras examinadas pelos investigadores indicam movimentações próximas de R$ 1 bilhão envolvendo a instituição e empresas do mesmo grupo. Em julho de 2026, o Banco Central já havia manifestado a intenção de cancelar sua autorização de funcionamento.
As medidas judiciais atingem 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, com bloqueio de contas e ativos financeiros até o limite global de R$ 3,483 bilhões. A Justiça também determinou a suspensão dos registros de 100 empresas e empresários individuais, proibiu os investigados de abrir novas contas bancárias durante 90 dias e autorizou o acesso a informações bancárias e fiscais de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas. Veículos e outros bens identificados durante as buscas também poderão ser apreendidos. O valor de R$ 3,483 bilhões representa o limite autorizado para bloqueio, não uma quantia já efetivamente recuperada pela polícia.
Os mandados são cumpridos em regiões do Distrito Federal, incluindo Sobradinho, Planaltina e Ceilândia, além de endereços em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Na capital paulista, as buscas alcançam regiões empresariais como a Faria Lima. Em Goiás, os agentes atuam em Goiânia, Planaltina de Goiás e Valparaíso de Goiás. Também há diligências em Curitiba, Fortaleza e Natal. Aproximadamente 200 policiais participam da operação, que busca identificar os responsáveis pelo esquema e aprofundar o rastreamento das movimentações financeiras.