Força-tarefa liderada pela Flórida chegou ao Brasil e resultou em três prisões; investigações continuam.
Uma operação liderada pelo Departamento de Aplicação da Lei da Flórida (FDLE) recuperou 163 crianças e adolescentes desaparecidos, com idades entre 2 meses e 17 anos. A Operation Statewide Shield foi realizada entre 17 e 21 de agosto e mobilizou autoridades locais, estaduais e federais dos Estados Unidos. As diligências também alcançaram outros estados norte-americanos, Porto Rico e 12 países, entre eles o Brasil. Muitas das crianças haviam enfrentado situações de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas.
A força-tarefa foi criada para identificar, localizar e recuperar menores desaparecidos e, ao mesmo tempo, oferecer atendimento imediato após a localização. Segundo as autoridades da Flórida, a ação utilizou informações em tempo real e operações de campo, além de reunir policiais, serviços de proteção infantil, profissionais de saúde, assistência social e organizações de apoio às vítimas.
As equipes responsáveis pelas buscas estavam distribuídas em diferentes regiões da Flórida. Foram contabilizadas 46 recuperações pela equipe de Tampa Bay, 41 pela de Miami, 32 por Jacksonville, 21 por Orlando, 12 por Fort Myers, oito por Pensacola e três pela região de Tallahassee. As autoridades classificaram a iniciativa como a primeira operação estadual do tipo na Flórida e uma das maiores ações de recuperação de crianças já realizadas nos Estados Unidos.
As diligências ultrapassaram as fronteiras da Flórida e chegaram a Alabama, Califórnia, Ohio, Nova York, Carolina do Norte e Tennessee, além de Porto Rico. No exterior, houve ações relacionadas à operação no Brasil, Canadá, Colômbia, Dominica, Finlândia, Gana, Guatemala, Itália, Jamaica, México, Espanha e Taiwan. O governo da Flórida não divulgou quantas crianças foram recuperadas em cada país nem informou quantos casos tiveram ligação direta com o Brasil.
Após serem encontradas, as crianças que necessitavam de atendimento foram encaminhadas para centros de acolhimento. Nesses locais, receberam acompanhamento de assistentes sociais, profissionais de proteção à infância, equipes médicas e defensores de vítimas. O Departamento de Crianças e Famílias da Flórida e o Departamento de Justiça Juvenil ficaram responsáveis pelas transferências de custódia nos casos necessários.
“Muitas dessas crianças foram vítimas daqueles que se aproveitam dos mais vulneráveis”, afirmou o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier. Segundo ele, o trabalho conjunto permitiu que “as crianças estão agora seguras e a receber os cuidados que merecem”.
A operação também resultou inicialmente em três prisões. Os casos envolvem acusações distintas, incluindo crimes sexuais contra menores, interferência na guarda de criança e resistência à autoridade. As autoridades ressaltam que as investigações continuam e novas prisões podem ocorrer.
Os três homens presos não são apontados como responsáveis pelo desaparecimento das 163 crianças. Informações que circularam nas redes sociais associando todos os menores recuperados aos mesmos suspeitos foram desmentidas. Cada uma das prisões está relacionada a casos específicos investigados durante a operação.
Dados do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC) ajudam a dimensionar o problema. Em 2025, a instituição recebeu mais de 32 mil registros envolvendo crianças desaparecidas nos Estados Unidos. Segundo o órgão, aproximadamente uma em cada sete crianças incluídas nesses registros apresentava indícios de possível exploração por tráfico sexual.
As autoridades da Flórida informaram que diferentes investigações originadas ou relacionadas à Operation Statewide Shield permanecem abertas. O objetivo agora é aprofundar a apuração das circunstâncias em que cada criança desapareceu, identificar eventuais responsáveis por crimes e garantir acompanhamento às vítimas após a recuperação.