Cinema

Os Setes Samurais: um clássico refilmado diversas vezes e que ainda inspira

Obra-prima de Akira Kurosawa, o filme influenciou gerações e deu origem a releituras como Sete Homens e um Destino.

Por: Emerson Medina
26 de Fevereiro de 2026
Foto: Divulgação

No cinema uma ideia quando é muito boa é reproduzida e até mesmo copiada repetidas vezes. E uma obra que foi diversas vezes reproduzida e referenciada em versões e gêneros distintos chama-se Os Sete Samurais de Akira Kurosawa (1954). Obra de ação com um olhar humanizado sobre a pobreza, a vida simples e os sonhos de glória por atos de bravura, Os Sete Samurais ganharam os cinemas e festivais do mundo inteiro, tornando Kurosawa o mestre cultuado até os dias atuais.

O filme conta a história do Japão feudal entregue a fome e à insegurança. Uma vila de camponeses sofre para se manter com a fraca colheita de arroz, mas bandidos ameaçam o vilarejo para que lhe entreguem a comida ou serão massacrados e a vila incendiada. A única esperança dos aldeões é contratar samurais errantes em troca de comida e abrigo. Porém como a vila dispõe de poucos recursos, apenas sete samurais aceitam a missão, uns por desespero, outros por compaixão, outros pela nobreza da causa e há aqueles que sonham com a glória de se tornarem heróis.

A história de uma comunidade sob um cerco tentando se defender com tão poucos impactou os fãs de cinema de todo o mundo. A ideia em si era tão boa que seis anos depois, ganha uma versão de Hollywood com superestrelas como Steve MacQueen, Charles Bronson, James Coburn e Yul Brynner.  Saem a vila e o Japão feudal, entram os cowboys do western. Sete Homens e Um Destino (The Fabulous Seven, no original – John Sturges, 1960) teve ainda três sequências nas décadas de 1960/1970 e um remake com Denzel Washington em 2016.

Ainda dentro do gênero western, a obra também foi parodiada em Três Amigos! (John Landis ,1986) com Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short. Novamente uma vila mexicana é alvo de bandoleiros e precisa contratar mercenários, mas uma moça da vila ao assistir a um filme (nos primórdios do cinema) confunde as atuações dos atores Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short, com a realidade. Os três atores dos primórdios de Hollywood por sua vez acreditam que foram contratados para uma exibição ao vivo e de uma forma desastrada acabam se dando conta com o que estão lidando. 

E não demorou para que o drama de Kurosawa chegasse às estrelas: Troque camponeses por um povo de um planeta pacífico, contrate bandidos espaciais e temos Battle Beyond The Stars, que no Brasil passou exaustivamente na TV como Mercenários das Galáxias. O povo akiree (olha a referência ao Akira Kurosawa) é ameaçado por um ditador galáctico e sua super-arma e apenas sete tripulantes e suas exóticas naves farão a defesa do planeta. É um filmão B muito cultuado e um dos melhores trabalhos do diretor Roger Corman, famoso por filmes de baixo orçamento para os padrões dos Estados Unidos.

Mas a principal influência de Kurosawa tanto com os Sete Samurais e outros títulos como A Fortaleza Escondida e Rashomon é na milionária saga Star Wars. O figurino e a filosofia dos Jedi têm muita base no bushido, o caminho dos samurais, entre outras coisas que George Lucas pegou do “mestre”.

As animações também beberam da fonte que Kurosawa abriu em 1954. Em Vida de Inseto da Disney/Pixar (John Lasseter, Andrew Stanton, 1988), as formigas precisam se defender de gafanhotos predadores, mas novamente por confusão como em Três Amigos, acabam contratando uma trupe circense de insetos.

Com tantas adaptações não se espante se uma nova versão apareça nas telas nas próximas temporadas. É apenas uma questão de tempo.

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.