Ensaio clínico no Reino Unido avaliará segurança e resposta imune contra vírus Bundibugyo.
A Universidade de Oxford iniciou o primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina contra o ebolavírus de Bundibugyo, um dos tipos do vírus que pode causar ebola. A pesquisa será realizada no Reino Unido e busca acelerar a resposta ao surto que atinge a República Democrática do Congo e Uganda.
A vacina começou a ser desenvolvida há oito semanas, após a Organização Mundial da Saúde declarar emergência de saúde pública. O estudo, chamado BD-Ebov, vai avaliar a segurança e a resposta imunológica em 50 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, em Oxford. As primeiras doses devem ser aplicadas nas próximas semanas.
Os voluntários serão acompanhados por um ano, mas os pesquisadores esperam identificar rapidamente se a vacina provoca a resposta imune desejada ou efeitos colaterais inesperados. A pesquisadora Katrina Pollock, que lidera o ensaio, afirmou que estudos de fase inicial são importantes para preparar respostas a surtos como o atual.
A epidemia, com epicentro na República Democrática do Congo, já causou 625 mortes e 1.792 casos confirmados em laboratório. O surto ocorre em uma área de conflito, com populações em deslocamento constante, o que dificulta o controle da doença e aumenta a necessidade de uma vacina.
A tecnologia usada na nova vacina é semelhante à plataforma que ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19 e foi aplicada na vacina Oxford/AstraZeneca. O imunizante utiliza um vírus comum em chimpanzés, geneticamente modificado para ser seguro, e induz o organismo a produzir uma proteína do ebola para preparar o sistema imunológico contra uma possível infecção.
A vacina já foi testada em ratos e macacos e está sendo fabricada pelo Serum Institute of India, que já produziu e armazenou cerca de 620 mil doses. Pesquisadores de Oxford também trabalham com parceiros em Uganda para iniciar ensaios clínicos no continente africano.