Decisão do STF aponta pagamentos de R$ 400 mil e pedidos de dados sigilosos após operação.
A decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou, nesta quinta-feira (14), a prisão de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, aponta que ele teria mantido repasses financeiros para um grupo investigado mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero. Segundo o documento, os pagamentos seriam destinados à estrutura chamada de “Turma”, apontada pela investigação como núcleo operacional ligado aos interesses do grupo de Daniel Vorcaro.
De acordo com a decisão, mensagens extraídas do celular de Marilson Roseno da Silva indicam que Henrique Vorcaro continuava providenciando valores para a manutenção do grupo. Em uma das conversas citadas nos autos, Marilson teria cobrado pagamentos mensais atrasados, e Henrique respondeu que enviaria R$ 400 mil, valor tratado pela investigação como repasse mensal.
A investigação afirma que a “Turma” seria responsável por ações como monitoramento de alvos, intimidação de pessoas e obtenção ilegal de informações sigilosas. O documento também cita que Henrique teria acionado integrantes do grupo para buscar dados sobre apurações da Polícia Federal, inclusive em inquérito no qual ele próprio havia sido intimado.
Segundo os autos, integrantes da organização teriam mobilizado policiais e delegados para realizar consultas indevidas em sistemas internos da Polícia Federal. A decisão menciona a suposta participação da delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, do agente federal aposentado Francisco José Pereira da Silva e do policial federal Anderson Wander da Silva Lima.
A defesa de Henrique Vorcaro afirma que a decisão se baseia em fatos cuja licitude e racionalidade econômica ainda não foram comprovadas no processo. Os advogados sustentam que os esclarecimentos deveriam ter sido solicitados antes da adoção de uma medida considerada pela defesa como grave e desnecessária.