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Países da OMS aprovam acordo pandêmico, mas sem adesão dos Estados Unidos

Pacto garante acesso global a vacinas e medicamentos, mas enfrenta resistência política.

20 de Maio de 2025
Foto: KIM KYUNG-HOON

Os países-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovaram, nesta terça-feira (20), um acordo jurídico internacional para melhorar a preparação global diante de futuras pandemias, como resposta às falhas identificadas durante a crise da covid-19. A ausência dos Estados Unidos na adesão, no entanto, gerou questionamentos sobre a efetividade do tratado. 

Após três anos de intensas negociações, o pacto foi aprovado pela Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra, e foi recebido com aplausos pelos representantes dos países presentes. O tratado é juridicamente vinculativo e estabelece compromissos para garantir que terapias, vacinas e medicamentos estejam disponíveis de forma equitativa em futuras emergências sanitárias. 

"O acordo é uma vitória para a saúde pública, a ciência e a ação multilateral. Ele garantirá que nós, coletivamente, possamos proteger melhor o mundo contra futuras ameaças de pandemia", declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. 

Uma das principais previsões do pacto é que fabricantes farmacêuticos participantes se comprometam a destinar 20% de suas vacinas, medicamentos e testes à OMS durante pandemias, garantindo que países em situação de vulnerabilidade tenham acesso a esses insumos. 

Apesar da ampla adesão, com 124 países votando a favor e nenhum contra, a não participação dos Estados Unidos gerou preocupação. Os negociadores norte-americanos deixaram as discussões após o presidente Donald Trump iniciar, em janeiro, o processo de retirada dos EUA da OMS, decisão que implica o rompimento com a agência da ONU, que tem os Estados Unidos como seu principal financiador. 

Como resultado, o país, que investiu bilhões de dólares no desenvolvimento de vacinas durante a pandemia de covid-19, não estará legalmente comprometido com o acordo. Além disso, o tratado não prevê sanções aos países que optarem por não implementá-lo, o que reforça as incertezas sobre sua aplicação prática. 

A aprovação do pacto foi precedida por uma votação convocada pela Eslováquia na segunda-feira (19). O primeiro-ministro do país, conhecido por seu ceticismo em relação à vacina contra a covid-19, exigiu que a adoção do acordo fosse submetida à deliberação formal. 

No total, 11 países se abstiveram da votação, incluindo Polônia, Israel, Itália, Rússia, Eslováquia e Irã. Nenhum voto contrário foi registrado. 

A implementação do tratado depende ainda da conclusão de um anexo sobre o compartilhamento de informações patogênicas. A OMS informou que as negociações para esse anexo terão início em julho, com expectativa de entrega do texto final à próxima Assembleia Mundial da Saúde, o que pode levar até dois anos. 

 

Com informações da Agência Brasil.

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