Estado clínico do pontífice continua complexo, mas ele se mantém sem febre após crise respiratória
O Papa Francisco teve uma boa noite e segue com condição "estável", não precisando mais de ventilação mecânica não invasiva nas últimas horas, após a crise respiratória sofrida na última sexta-feira (28), informou o Vaticano nesta segunda-feira (3). Segundo o boletim médico, o estado clínico do pontífice argentino continua "complexo" e o prognóstico permanece "reservado".
De acordo com o relatório médico, o Papa Francisco, de 88 anos, "não precisou de ventilação mecânica não invasiva", tendo recebido apenas oxigenoterapia de alto fluxo após a crise respiratória, que também foi acompanhada de um episódio de vômito. O papa permanece sem febre, o que é um sinal positivo para sua recuperação.
Francisco está internado desde 14 de fevereiro devido a uma bronquite com infecção polimicrobiana e pneumonia bilateral. Neste domingo, o pontífice recebeu a visita do secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, e do secretário adjunto de Estado, Edgar Peña Parra.
Por conta do seu estado de saúde, o Papa não proferiu a tradicional mensagem do Angelus pelo terceiro domingo consecutivo.
Multilateralismo e respeito pela ciência
Em mensagem enviada aos participantes do congresso científico “O fim do mundo? Crises, responsabilidades, esperanças”, que teve início nesta segunda-feira (3) em Roma, o Papa Francisco defendeu o respeito à ciência e a necessidade de reforçar o multilateralismo. Criticou a tecnocracia neoliberal e a desregulamentação utilitarista, alertando que essas práticas podem levar o mundo mais perto do colapso.
Ele também pediu a criação de "organizações mundiais mais eficazes, dotadas de autoridade para assegurar o bem comum global, a erradicação da fome e da miséria e a defesa dos direitos fundamentais".
Em sua mensagem, Francisco afirmou que "não é a tecnocracia que nos vai salvar" e que ceder à desregulamentação planetária "impõe a lei do mais forte", o que desumaniza as relações globais.
O Papa elogiou o tema escolhido para o congresso, "policrise", destacando a gravidade da conjuntura atual, onde as guerras, alterações climáticas, problemas energéticos, epidemias, migrações e inovações tecnológicas se entrelaçam, criando um cenário de múltiplas crises globais.
Com informações da Agência Lusa.