Cultura

Parintins 2026 levará Curupira e Pindova'úmi'ga à arena

Lendas amazônicas inspiram toadas de Caprichoso e Garantido no Festival deste ano.

Por: Portal Amz em Pauta
17 de Junho de 2026
Foto: Bruna Azevedo / g1

O Festival Folclórico de Parintins 2026 vai levar ao Bumbódromo duas narrativas ligadas ao imaginário e à ancestralidade amazônica. Nas toadas deste ano, o Boi Caprichoso apresenta a força simbólica do Curupira, conhecido como guardião da floresta, enquanto o Boi Garantido destaca a saga de Pindova'úmi'ga, pajé e guerreiro ancestral do povo Parintintin. A disputa entre os bois acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho, em Parintins, no Amazonas.

No repertório do Caprichoso, a toada “Trilha do Curupira” resgata uma das figuras mais conhecidas do folclore brasileiro. O personagem é descrito como um menino de cabelos vermelhos e pés virados para trás, usado na tradição popular para representar a proteção das matas e dos animais. Segundo a lenda, os rastros invertidos servem para confundir caçadores, invasores e pessoas que ameaçam a floresta.

A composição também atualiza o sentido da lenda ao relacionar o Curupira à defesa ambiental. Versos como “De onde vem o assovio?” fazem referência ao som usado pelo personagem para desorientar quem entra na mata. Já o trecho “Rasga a mata viva o monstro correntão” denuncia a destruição provocada pelo desmatamento ilegal, transformando a toada em um alerta sobre a preservação da Amazônia.

Do lado do Garantido, a toada sobre Pindova'úmi'ga mergulha na espiritualidade do povo Parintintin. A narrativa apresenta o pajé como um chefe xamã que percorre diferentes mundos, entre o céu, as águas e a terra, em busca de um lugar para formar sua aldeia. A história também fala da criação dos Yvága'nga, o povo do céu, seres ligados à fumaça, às águas, aos animais sagrados e à proteção da natureza.

Durante a jornada, Pindova'úmi'ga enfrenta forças espirituais, atravessa rios encantados e passa por transformações simbólicas, como a figura da onça-pintada. Guiado por Kawnadu, a harpia divina, ele chega ao “segundo céu”, onde ergue sua okara, a praça central que representa o coração da aldeia.

Com essas duas histórias, Caprichoso e Garantido reforçam o papel das toadas como parte essencial da narrativa do Festival de Parintins. Mais do que músicas para embalar a arena, as composições ajudam a contar histórias da floresta, valorizar os povos originários e transformar o espetáculo em uma celebração da cultura amazônica.

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