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Participação da mulher no funcionalismo público federal atinge 45%

Número de mulheres em cargos de liderança e assessoramento cresce, mas desigualdades persistem

09 de Marco de 2025
Foto: Marcelo Casal Jr / Agencia Brasil

A presença feminina no funcionalismo público federal aumentou para 45,6% em 2025, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Em 2022, esse percentual era de 44,8%. O governo federal comemorou o crescimento da participação feminina, destacando a relevância da presença das mulheres no serviço público, especialmente no Dia Internacional da Mulher. 

“A presença feminina tem sido cada vez mais representativa”, afirmou o governo, em comunicado emitido neste 8 de março. 

Para a antropóloga Ana Julieta Teodoro Cleaver, servidora pública federal e membro do Coletivo de Mulheres Negras Servidoras e Empregadas Públicas do Governo Federal, apesar do aumento da participação feminina em espaços de poder e decisão, ele ocorre de forma "paulatina" e ainda é dominado principalmente por mulheres brancas. "São dados que mostram um processo lento de mudança nas participações política, social e econômica, mas há uma reprodução das desigualdades, principalmente em relação às mulheres negras, indígenas, quilombolas, do campo e de populações tradicionais", afirmou. 

Ela também destaca que as mulheres predominam em cargos de execução, enquanto a presença delas diminui em cargos de tomada de decisão. "Quanto mais subimos na hierarquia, o número de mulheres vai diminuindo. Se há muitas mulheres na base da pirâmide, em cargos de execução, nas funções de maior decisão o número é muito menor", destacou. 

Os dados também mostram um aumento da presença feminina em cargos comissionados de direção e assessoramento. Em 2022, as mulheres ocupavam 40% desses cargos, e esse número subiu para 42% em 2025. Nos cargos de direção e assessoramento de níveis mais elevados (13 a 17), como coordenadoras-gerais, diretoras e secretárias, a participação feminina aumentou de 34,9% em 2022 para 39,2% em 2025. 

De acordo com o MGI, do total de 1.270 cargos de direção e assessoramento criados pelo governo atual, 965, ou 76%, são ocupados por mulheres. 

Políticas públicas de apoio às mulheres 

O governo federal tem adotado várias políticas públicas para fortalecer a presença feminina no mercado de trabalho, como a Lei de Igualdade Salarial, a implementação de cotas para mulheres em situação de violência doméstica em contratações públicas e o Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação na Administração Pública Federal. 

Flavia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, destacou a importância dessas ações para promover relações mais igualitárias no mercado de trabalho. Ela enfatizou, no entanto, que é necessário integrar essas políticas com o Plano Nacional de Cuidado, que visa melhorar as condições de trabalho para as mulheres, especialmente no que se refere à divisão de responsabilidades familiares e cuidado. “A conciliação entre o trabalho remunerado e o trabalho não remunerado de cuidado é uma questão fundamental para alcançar a igualdade nos espaços de trabalho”, afirmou. 

Avanços e desafios no caminho para a igualdade 

Lais Barros, servidora pública, geógrafa e pedagoga, e também membro do Coletivo de Mulheres Negras Servidoras e Empregadas Públicas, reconheceu os avanços, mas lembrou que ainda há muito a ser feito. “Em que pese, ainda tenhamos um longo caminho pela frente, essa luta vem tendo resposta e uma forma de reconhecer isso é a implementação dessas políticas públicas”, afirmou. 

A servidora também destacou a importância de garantir a representatividade da população brasileira no serviço público. Para ela, as políticas de cotas em concursos públicos são essenciais para assegurar que as diversas realidades da sociedade brasileira sejam refletidas no serviço público. “Sem essa representação, a gente não tem um olhar específico do retrato do que é a sociedade”, completou. 

Ana Julieta Teodoro Cleaver complementou, explicando que muitas mulheres ocupam cargos de execução primária, como assistentes sociais, enfermeiras e técnicas de enfermagem, que, embora de altíssima relevância para a sociedade, têm menos reconhecimento social e remuneração. "É fundamental que as políticas públicas possam refletir uma justiça social que atenda à maioria da população brasileira", afirmou, reforçando a importância de um maior reconhecimento e valorização dessas funções essenciais. 

Essas observações refletem um processo contínuo de luta por igualdade no serviço público, com ênfase em um futuro mais representativo e inclusivo para todas as mulheres. 


Com informações da Agencia Brasil.

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