Tecnologia pioneira acessa rochas superaquecidas sem brocas e mira usina piloto para 2028.
Uma tecnologia desenvolvida no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, pode estar prestes a transformar a matriz energética global — especialmente em um momento de crescente demanda por energia em serviços de inteligência artificial e centros de dados. Criado em 2007, o sistema de perfuração por ondas milimétricas agora começa a sair dos laboratórios e a mostrar seu potencial no mundo real.
A inovação permite alcançar rochas extremamente quentes, a cerca de 400?°C, localizadas em grandes profundidades no subsolo. O método é hoje a base dos projetos da startup Quaise Energy, especializada em energia geotérmica superquente. A empresa acaba de concluir com sucesso um teste no centro do Texas, alcançando 100 metros de profundidade — a primeira perfuração real com a tecnologia.
O sistema usa um girotron, uma espécie de canhão de ondas milimétricas, para vaporizar rochas duras como granito e basalto. Isso elimina a necessidade de brocas metálicas, que enfrentam sérias limitações quando expostas ao calor e à dureza desses materiais. A novidade pode acelerar o acesso a fontes de energia limpa e constante, sem as interrupções comuns nas energias solar ou eólica.
Até recentemente, a técnica havia sido usada apenas em laboratório, com perfurações de poucos centímetros. A próxima meta da Quaise é ainda mais ambiciosa: construir uma usina piloto no oeste dos Estados Unidos até 2028, utilizando o calor das profundezas da Terra para gerar eletricidade de forma mais eficiente que as atuais usinas geotérmicas.
O projeto conta com financiamento da Nabors Industries, empresa do setor de petróleo e gás, interessada na transição energética e na aplicação da tecnologia em escala industrial. Se bem-sucedido, o sistema pode se tornar uma alternativa poderosa e sustentável para suprir o crescimento explosivo do consumo energético da era da IA.