Medida deve permitir atuação das Forças Armadas e restrições a direitos civis.
O primeiro-ministro do Peru, Ernesto Álvarez, anunciou que o governo prepara a decretação de estado de emergência na capital Lima e em regiões próximas, após uma onda de protestos contra o aumento da criminalidade. As manifestações, realizadas nos últimos dias, deixaram um morto e mais de cem feridos, incluindo manifestantes, policiais e jornalistas.
Em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (16), Álvarez, que também preside o Conselho de Ministros, afirmou que a decisão “não pode ser simplesmente uma declaração etérea, mas deve ser acompanhada de um pacote de medidas”. O plano prevê a atuação das Forças Armadas em apoio à polícia para retomar o controle territorial e combater o crime organizado. Durante o estado de emergência, direitos como a liberdade de reunião e de circulação poderão ser restringidos.
Segundo o premiê, o presidente interino José Jerí ordenou que o Executivo prepare o conjunto de ações “o mais rapidamente possível” e que o anúncio oficial será feito assim que o pacote estiver concluído. “Ninguém aqui está encobrindo ninguém, ninguém vai tentar tomar medidas sem importância”, disse Álvarez, acrescentando que não descarta impor um toque de recolher na região metropolitana de Lima, que reúne cerca de 10 milhões de habitantes.
O anúncio foi feito um dia após confrontos em diversas cidades peruanas resultarem na morte do rapper Eduardo Ruiz, de 32 anos, conhecido artisticamente como Trvko. Segundo a agência EFE, o músico foi atingido por disparos de arma de fogo durante manifestação em Lima. O chefe-geral da polícia peruana, Oscar Arriola, afirmou que o tiro foi disparado por um policial que “agiu por iniciativa própria” e será expulso da corporação.
De acordo com as autoridades, mais de 100 pessoas ficaram feridas, incluindo 84 policiais, 29 manifestantes e dez jornalistas. Pelo menos dez pessoas foram detidas durante os protestos. As manifestações, lideradas principalmente por jovens, ocorreram em várias cidades do país e tiveram como foco a corrupção, a insegurança e o crescimento do crime organizado.
Os manifestantes também protestaram contra a posse de José Jerí como presidente interino, após a destituição da ex-presidente Dina Boluarte na semana passada. Em entrevista, Jerí afirmou: “Não vou me demitir, continuarei a assumir minhas responsabilidades”.
O ministro do Interior, Vicente Tiburcio, lamentou a morte de Ruiz e informou ter solicitado uma investigação sobre o caso. Segundo ele, a força policial destacada para conter os protestos “não se encontrava na região de Lima onde o jovem morreu”. O ministro relatou ainda que “algumas pessoas usaram disfarces, como capacetes, e se cobriram, carregando mochilas e objetos contundentes”, o que teria dificultado a identificação dos envolvidos.
Com a escalada da violência e a instabilidade política, o governo peruano tenta conter a crise e restabelecer a ordem, em meio ao aumento da pressão popular e à desconfiança das instituições.
Com informações da Lusa*