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Pescador encontra desenhos rupestres durante expedição no Sul de Roraima

Gravuras foram localizadas às margens do rio Jatapu, em Caroebe, e podem ter até 3 mil anos antes de Cristo

12 de Fevereiro de 2026
Foto: Arquivo pessoal / Marcell Reis

O que seria apenas uma expedição de caiaque pelo rio Jatapu acabou se transformando em uma descoberta histórica no Sul de Roraima. O pescador esportivo e bombeiro militar Marcell Reis, de 33 anos, encontrou ao menos 30 desenhos rupestres gravados em pedras ao longo do percurso, após cerca de 70 quilômetros de descida pelo rio, a partir do município de Caroebe.

A viagem ocorreu em janeiro e durou nove dias. Segundo Marcell, os registros começaram a aparecer após uma semana de expedição, em trechos isolados próximos à nascente do rio. As gravuras estavam distribuídas em diferentes pontos das margens. Em alguns locais, ele identificou cerca de sete figuras; em outros, mais de 20. “É como se fosse uma viagem no tempo”, relatou.

As imagens foram registradas em fotos e vídeos, um deles mostrando um desenho que se assemelha a um sol e que já ultrapassou mil compartilhamentos nas redes sociais. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que os vestígios não integram nenhum sítio arqueológico oficialmente registrado na área, o que pode indicar a identificação do primeiro sítio arqueológico em Caroebe. O órgão destacou que todo vestígio arqueológico é protegido por lei federal.

Para analisar os registros, o g1 ouviu o professor de história da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e mestre em arqueologia pela Universidade de Pernambuco (UPE), Francisco de Paula Brito. Ele afirmou que é necessário um estudo aprofundado para determinar com precisão a datação, mas destacou a presença de diferentes estilos rupestres nas imagens.

Entre os estilos identificados está o chamado Aishalton, caracterizado por figuras de animais, plantas e seres humanos, comum em povos milenares da região amazônica e das Guianas. A partir da análise preliminar dos traços e técnicas utilizadas, o pesquisador estima que as gravuras possam ter sido feitas há cerca de 3 mil anos antes de Cristo, indicando a antiga presença de diferentes povos na região.

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