Sexta-Feira, (23 de Outubro de 2026)
Economia

Petróleo ultrapassa US$ 117 e ameaça elevar preços dos combustíveis no Brasil

Alta superior a 3% é impulsionada por tensões no Oriente Médio e riscos ao abastecimento mundial; especialistas alertam para possíveis impactos na inflação.

Por: Portal Amz em Pauta
23 de Outubro de 2026
Foto: AFP/Getty Images

O preço do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, ultrapassou US$ 117 por barril nesta sexta-feira (23), registrando valorização superior a 3% e atingindo o maior patamar desde abril de 2026. A alta ocorre em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Arábia Saudita, Irã e Estados Unidos, e ao temor de interrupções no fornecimento global. O cenário preocupa investidores e pode pressionar os preços dos combustíveis e o custo de vida no Brasil, embora o repasse aos consumidores não seja imediato.

Um dos principais fatores que impulsionam os preços é o agravamento do conflito envolvendo a Arábia Saudita e os houthis, grupo armado do Iêmen alinhado ao Irã. Diante da ameaça de novos ataques, a estatal petrolífera Saudi Aramco orientou funcionários a deixar sua sede em Dhahran e trabalhar remotamente. Os Estados Unidos também determinaram a saída de funcionários não essenciais do território saudita, ampliando a preocupação com a segurança na região.

Segundo Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, os investidores acompanham especialmente os riscos de interrupção nas rotas marítimas utilizadas para transportar petróleo. Entre os pontos de atenção estão os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, considerados estratégicos para o comércio internacional de energia. Uma eventual restrição nessas passagens poderia comprometer as exportações de países produtores.

“O mercado precifica a possibilidade de redução das exportações de petróleo do Oriente Médio em meio à escalada das tensões entre a Arábia Saudita e os houthis”, afirmou Cordeiro.

A instabilidade também aumentou após relatos de incidentes envolvendo embarcações no Golfo Pérsico. Segundo a Reuters, autoridades dos Emirados Árabes Unidos identificaram um vazamento de petróleo na costa do país, sem esclarecer a causa ou identificar o navio envolvido. O episódio reforçou a preocupação com a segurança do transporte marítimo na região.

Outro fator de incerteza envolve a possibilidade de novos ataques ao Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que Washington não estava negociando com Teerã e indicou que novos acontecimentos poderiam ocorrer em breve. Analistas também acompanham informações sobre uma possível retomada de operações militares americanas e israelenses, embora não exista confirmação de que uma nova ofensiva será realizada.

A combinação desses fatores contribui para o chamado prêmio geopolítico, uma valorização adicional do petróleo provocada pelo risco de redução da oferta. Mesmo sem interrupções efetivas na produção, investidores e compradores passam a considerar a possibilidade de dificuldades futuras no abastecimento, elevando os preços internacionais.

No Brasil, o principal temor é que a alta do petróleo pressione os valores da gasolina e do diesel. Entretanto, o especialista em Comércio Exterior Jackson Campos explica que a cotação internacional representa apenas uma parte da formação dos preços dos combustíveis. Outros fatores, como a taxa de câmbio, os custos de transporte e as condições de contratação, também influenciam o valor final.

“O preço internacional é uma parte da conta, junto com câmbio, frete e condições de contratação. Por isso, não se pode converter a cotação do barril em reajuste automático nas bombas”, explicou Campos.

Caso a valorização persista e seja repassada ao diesel, os custos do transporte de mercadorias poderão aumentar gradualmente. Esse movimento pode afetar os preços de alimentos, produtos industrializados e serviços, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra das famílias brasileiras.

Em relatório divulgado nesta sexta-feira, o banco UBS alertou que o mercado internacional de petróleo permanece vulnerável a novos episódios de instabilidade. A instituição considera que a oferta ainda está pressionada, o que pode provocar novas oscilações caso ocorram ataques ou interrupções nas exportações do Oriente Médio.

Apesar dos riscos imediatos, o UBS avalia que os preços poderão apresentar uma redução gradual ao longo de 2027, caso a produção mundial se recupere, as rotas comerciais sejam reorganizadas e estoques emergenciais sejam utilizados para equilibrar o abastecimento.

 

Leia Mais
TV Em Pauta

COPYRIGHT © 2024-2025. AMZ EM PAUTA S.A - TODOS OS DIREIROS RESERVADOS.