A Operação Mafiusi rastreia transações financeiras envolvendo o cantor sertanejo, o pastor Valdemiro Santiago e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, ligados a esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Polícia Federal (PF) está conduzindo a Operação Mafiusi, que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro vinculadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e à máfia italiana. A operação, sob a tutela da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, mesma instância que supervisionou a Operação Lava Jato, se concentrou em transações financeiras de grande valor realizadas por empresas ligadas ao crime organizado. Durante as investigações, a PF encontrou os nomes do cantor sertanejo Gusttavo Lima, do pastor Valdemiro Santiago e do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho entre as transações suspeitas.
De acordo com documentos obtidos pelo Estadão, as movimentações financeiras de Gusttavo Lima, Valdemiro Santiago e Adilson Filho indicam que eles teriam realizado transações com indivíduos envolvidos em um "sistema financeiro paralelo" do crime organizado. Embora não tenham sido indiciados, todos deverão ser chamados para depor. A operação também resultou na denúncia de 14 pessoas por organização criminosa e associação para tráfico de drogas na primeira fase da investigação.
O cantor sertanejo Gusttavo Lima, que tem sido cogitado para integrar uma chapa presidencial com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, negou envolvimento em irregularidades, explicando que a transação mencionada na investigação se refere à compra legal de uma aeronave. Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, e Adilson Filho, o Adilsinho, não responderam à reportagem.
A PF também identificou Willian Barile Agati, conhecido como o "concierge do PCC", como o responsável por organizar as transações financeiras ilícitas da facção criminosa. Ele está preso desde janeiro e seu advogado alegou que ele é inocente, destacando sua atuação como empresário legítimo e idôneo.
Em seu relatório, o delegado Eduardo Verza, da PF do Paraná, afirmou que as investigações revelaram uma organização criminosa com ramificações nacionais e internacionais, utilizando empresas de fachada e contas de pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem ilícita dos recursos. A PF identificou movimentações financeiras envolvendo empresas como a Starway Locação de Veículos e a Starway Multimarcas, que, juntas, movimentaram R$ 454,3 milhões entre 2020 e 2023, com indícios de que sejam de fachada.
A investigação também apontou a empresária Maribel Golin, que mantém vínculos comerciais com Agati, como uma das principais envolvidas no esquema. Segundo o delegado, as movimentações financeiras de suas empresas somaram R$ 1,426 bilhão entre 2020 e 2022, com uma pequena porcentagem proveniente de fontes de receita declaradas. A PF também encontrou transações suspeitas entre as empresas de Golin e aquelas vinculadas ao cantor Gusttavo Lima, ao pastor Valdemiro Santiago e ao bicheiro Adilson Filho.
Em resposta às alegações, a Balada Eventos, empresa que administra a carreira de Gusttavo Lima, afirmou que a compra da aeronave foi realizada de maneira legal, com contrato formal registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O advogado de Maribel Golin e da empresa JBT, envolvida na transação, também negou qualquer vínculo próximo com Willian Barile Agati, afirmando que a relação com ele foi apenas comercial.
Apesar das negativas, a investigação continua, com mais depoimentos e esclarecimentos sendo aguardados.
Com informações do Jornal Correio.