Compartimento foi localizado no Aeroporto de Brasília, em espaço utilizado por empresas de Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro; defesa nega irregularidades.
A Polícia Federal (PF) encontrou uma sala considerada secreta em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília, utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). A descoberta ocorreu em agosto de 2026, durante desdobramentos da Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de desvios de recursos de aposentados e pensionistas do INSS. No compartimento, os agentes localizaram uma máquina de contar dinheiro, malas e prateleiras, mas nenhuma quantia em espécie.
A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela TV Globo. Segundo as investigações, os policiais chegaram ao espaço após receberem uma denúncia anônima sobre a existência de uma área oculta no hangar. O local já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão, mas a sala não foi identificada durante a primeira vistoria.
Imagens obtidas pela imprensa mostram que a entrada do compartimento ficava escondida atrás de um painel de madeira e era protegida por uma porta aparentemente blindada. A suspeita dos investigadores é de que o ambiente pudesse ser utilizado para armazenar bens e valores em dinheiro. Entretanto, não foram encontradas cédulas durante a operação.
Em nota, a defesa de Willer Tomaz confirmou a existência do espaço, classificado como uma sala-cofre. Segundo os advogados, a estrutura era utilizada no atendimento de empresas especializadas no transporte de valores, clientes das companhias de aviação ligadas ao advogado.
A defesa também contestou as suspeitas levantadas sobre o ambiente. “É fantasiosa e beira o ridículo a insinuação de que essas instalações seriam utilizadas para armazenar ou contar dinheiro de origem ilícita.” Em outro trecho, afirmou que “atribuir conotação criminosa a essas instalações, sem qualquer prova, é uma tentativa irresponsável de fabricar suspeitas onde não existem fatos”.
A descoberta ocorreu no contexto da Operação Sem Desconto, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado às fraudes contra beneficiários do INSS. Willer Tomaz foi um dos alvos da investigação. Durante as diligências realizadas em agosto, policiais também encontraram outra máquina de contar dinheiro na residência do advogado e apreenderam quatro aeronaves pertencentes a empresas ligadas a ele. Tomaz nega envolvimento nas irregularidades investigadas.
Além desse caso, Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro são investigados em um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A investigação teve origem na Justiça Federal do Rio Grande do Sul e envolve movimentações financeiras e possíveis operações relacionadas ao setor de apostas.
Durante a apuração, a Polícia Federal identificou documentos indicando que Flávio Bolsonaro estava cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holding, ligada a Willer Tomaz. Segundo os investigadores, o perfil poderia permitir acesso e gerenciamento da conta. Registros também apontam que a exclusão do acesso do senador foi solicitada em maio de 2025.