Domingo, (18 de Outubro de 2026)
Amazonas

Pirarucu do Vale do Javari pode ganhar selo de origem e valorização

Diagnóstico será realizado em novembro para avaliar se o manejo sustentável do pescado reúne condições para receber uma Indicação Geográfica.

Por: Portal Amz em Pauta
18 de Outubro de 2026
Foto: Reprodução

O pirarucu manejado no Vale do Javari, no Amazonas, poderá ganhar um novo instrumento de valorização econômica e reconhecimento territorial. A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), a Prefeitura de Atalaia do Norte e o Sebrae Amazonas articulam a realização de um diagnóstico para verificar se o produto tem potencial para receber uma Indicação Geográfica (IG).

A análise está marcada para o dia 18 de novembro e contará com apoio técnico do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão responsável por conceder oficialmente esse tipo de registro no Brasil. A atividade será realizada na sede da Univaja, em Atalaia do Norte, sob coordenação do Sebrae Amazonas e a partir de uma solicitação da prefeitura do município.

O objetivo é avaliar de que forma o manejo sustentável do pirarucu se relaciona com as características próprias do Vale do Javari, considerado a segunda maior Terra Indígena do país. O diagnóstico deve levar em conta aspectos como o território, as práticas tradicionais de pesca, as formas de conservação e a importância econômica da atividade para as populações locais.

A Indicação Geográfica funciona como um reconhecimento de que determinado produto possui características, reputação ou qualidades ligadas ao lugar onde é produzido. No caso do pirarucu, o registro poderia ajudar a diferenciar o pescado no mercado e destacar sua ligação com o conhecimento tradicional e com as práticas sustentáveis desenvolvidas na região.

No Vale do Javari, o manejo do pirarucu faz parte da cadeia produtiva de comunidades indígenas e ribeirinhas e tem papel importante na geração de renda. A avaliação pretende identificar se esses elementos são suficientes para fortalecer a identidade do produto e criar novas oportunidades de comercialização.

Atualmente, a atividade é desenvolvida principalmente por manejadores das etnias Kanamari, Mayoruna, Marubo e Kulina. A expectativa é que, em 2027, o povo Matis também passe a integrar as ações relacionadas ao manejo sustentável do pirarucu.

Caso o diagnóstico confirme a viabilidade, o processo poderá avançar para as próximas etapas necessárias ao pedido de registro junto ao INPI. A iniciativa busca unir valorização cultural, conservação ambiental e fortalecimento econômico das comunidades que vivem e trabalham no Vale do Javari.

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