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Powell acusa Trump de chantagem criminal para forçar corte de juros americanos

Presidente do FED diz ter sido notificado pelo Departamento de Justiça.

12 de Janeiro de 2026
Foto: Yuri Gripas / Reuters

O presidente do Federal Reserve (FED) dos Estados Unidos, Jerome Powell, acusou o presidente Donald Trump de usar uma acusação criminal como forma de chantagem para pressionar o Banco Central norte-americano a reduzir as taxas de juros. O FED é a autoridade responsável por definir a taxa básica de juros da economia dos EUA.

Em comunicado divulgado no domingo (11), Powell informou que recebeu uma notificação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos com a ameaça de uma denúncia criminal relacionada a um projeto de reforma nos prédios da instituição.

“Ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, afirmou Powell.

Segundo o presidente do FED, a ameaça não teria relação direta com as obras de reforma, mas serviria apenas como justificativa para a pressão política. “Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”, declarou.

Powell acrescentou que a situação levanta questionamentos sobre a capacidade do FED de continuar definindo os juros com base em evidências e nas condições econômicas, ou se a política monetária “será dirigida por pressão política ou intimidação”.

Questionado por jornalistas sobre a investigação, Trump negou qualquer envolvimento e afirmou desconhecer o caso. "Não sei nada sobre isso, mas certamente ele não é muito bom no FED, e não é muito bom em construir prédios", disse o presidente à NBC News, acrescentando que a acusação não tem relação com o nível elevado dos juros.

“Eu nem pensaria em fazer isso dessa forma. O que deveria pressioná-lo é o fato de as taxas estarem muito altas. Essa é a única pressão que ele tem”, completou Trump.

Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem criticado Powell pela falta de cortes mais agressivos nos juros e já chegou a ameaçar demiti-lo. O mandato do atual presidente do FED termina em maio deste ano, quando Trump deverá indicar um substituto.

A ação contra Powell reacendeu críticas sobre possíveis interferências do Executivo na independência do Banco Central dos EUA, responsável por definir a política monetária do país. O senador republicano Thom Tillis, integrante do Comitê Bancário do Senado, afirmou que irá se opor à indicação do sucessor de Powell até que a questão legal seja esclarecida.

“Se ainda restava alguma dúvida sobre se os assessores do governo Trump estão ativamente pressionando para acabar com a independência do Federal Reserve, agora não deve haver nenhuma. Agora, a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça estão em questão”, afirmou o senador em uma rede social.

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