Santiago Peña anunciou a saída do governo nesta quinta-feira (5), após o colapso do Ueno Bank deixar milhões de clientes sem acesso ao dinheiro. Vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias digitais do país. A decisão ocorreu após o fechamento do banco, que deixou aproximadamente 2,9 milhões de clientes sem acesso às contas, desencadeando protestos e aumentando a pressão sobre o governo. O anúncio aconteceu enquanto a Câmara dos Deputados paraguaia discutia a abertura de um processo de impeachment contra o presidente, que também enfrentava a perda de apoio dentro do próprio Partido Colorado.
Peña comunicou a decisão por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, afirmando que sua saída busca preservar a estabilidade institucional do Paraguai. O presidente reconheceu a gravidade do momento e pediu desculpas à população, mas não assumiu responsabilidade direta pelas irregularidades investigadas no banco. Em sua declaração, destacou a preocupação com os cidadãos que tiveram suas economias comprometidas e defendeu a recuperação dos recursos depositados na instituição.
A crise começou a se intensificar após o Banco Central do Paraguai identificar problemas graves na situação financeira do Ueno Bank. A instituição apresentava um índice de solvência inferior à metade do mínimo exigido pelas autoridades reguladoras, após ajustes em seus demonstrativos financeiros. Diante da situação, o órgão iniciou um procedimento de resolução bancária, que resultou na interrupção das operações e impediu milhares de pessoas de movimentar salários, aposentadorias e economias.
As investigações apontam suspeitas de empréstimos concedidos a empresas relacionadas aos controladores do banco, além de possíveis irregularidades contábeis e falhas de fiscalização. O caso ganhou repercussão política porque Peña manteve participação empresarial no Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025. O governo também passou a ser questionado pelo volume de recursos públicos mantidos na instituição, incluindo depósitos ligados à previdência social. Os vínculos empresariais e as suspeitas de irregularidades são investigados, mas não constituem, por si só, comprovação de responsabilidade criminal do presidente.
O escândalo já havia provocado a saída do presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, que anteriormente comandou a instituição financeira. As autoridades também determinaram medidas contra dirigentes e pessoas ligadas ao Ueno Bank. Segundo a Associated Press, oito executivos foram detidos e 27 pessoas passaram a responder a acusações relacionadas à investigação. O caso ampliou a desconfiança dos correntistas e provocou manifestações em Assunção, capital do Paraguai, com cobranças por explicações e pela devolução dos depósitos.
A renúncia de Peña ocorreu depois que parlamentares da oposição passaram a defender seu afastamento e integrantes da própria base governista demonstraram disposição para apoiar o processo de impeachment. O presidente, que assumiu o cargo em agosto de 2023, perdeu sustentação política diante da repercussão do escândalo. A saída foi apresentada por ele como uma medida para evitar o aprofundamento da instabilidade e preservar as instituições democráticas.
Pela Constituição paraguaia, o Congresso deverá analisar a renúncia apresentada pelo presidente. Com a formalização da saída, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do Executivo e completar o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028. Enquanto isso, as autoridades financeiras seguem trabalhando para organizar a restituição dos depósitos e apurar as responsabilidades pelo colapso bancário, cujos efeitos também levantam preocupações sobre a confiança no sistema financeiro do país.