Política

Presidente do União Brasil é acusado de ligação com aviões usados por facção

Depoimento de piloto aponta Antônio Rueda como suposto dono oculto de aeronaves ligadas ao PCC.

19 de Setembro de 2025
Foto: Divulgação

Um novo escândalo político ganhou força em Brasília após denúncias envolvendo o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Ele foi citado em depoimento à Polícia Federal como suposto proprietário de aeronaves usadas por uma empresa de táxi aéreo investigada por atuar no transporte para o Primeiro Comando da Capital (PCC). No Amazonas, a legenda é presidida pelo governador Wilson Lima.

As revelações foram publicadas pelo site ICL Notícias e confirmadas por fontes da investigação. O presidente do Partido Progressista, Ciro Nogueira, também foi citado, acusado de receber grandes quantias em dinheiro vivo. As informações vieram à tona a partir do depoimento de um piloto que trabalhou para empresários do setor aéreo.

Segundo o piloto, quatro dos dez jatos executivos da empresa investigada pertenciam de fato a Rueda, mas estavam registrados em nome de terceiros, como forma de dificultar o rastreamento. O depoente acrescentou que a estratégia visava justificar internamente a posse dos aviões como parte de um plano de quem “tinha muito dinheiro e precisava gastar”.

Entre as aeronaves mencionadas estão um jato leve avaliado em US$ 3 milhões, um midsize de US$ 8 a 9 milhões, um Citation Excel de aproximadamente US$ 6 milhões, além de outras aeronaves de luxo. Todas estariam ligadas a operações de alto valor, sem justificativas claras sobre sua origem.

A conexão entre a frota e o PCC surgiu paralelamente a uma investigação sobre fraudes e desvios no mercado de combustíveis, que teria movimentado R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, causando prejuízo fiscal superior a R$ 8,6 bilhões. Segundo a Polícia Federal, a facção teria infiltrado toda a cadeia de combustíveis, da importação à distribuição.

O piloto também citou nomes já conhecidos das autoridades, como Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Loco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, ambos investigados por lavagem de dinheiro e fraudes fiscais. Eles seriam os responsáveis por operar os aviões e integrar o esquema criminoso.

Em resposta, Rueda negou qualquer envolvimento com crimes ou posse de aeronaves ligadas ao PCC. Em nota, o União Brasil reforçou que não há qualquer relação entre seu presidente e os fatos apurados, classificando as acusações como infundadas. O inquérito corre em sigilo e, até o momento, não há processos judiciais abertos.

Novas informações indicam que o nome de Rueda também aparece nas investigações da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC nos setores financeiro e de combustíveis. Essa operação, deflagrada em agosto, mira um esquema bilionário que envolve fundos de investimento e fintechs para lavagem de dinheiro.

Segundo o portal Metrópoles, a Polícia Federal apura se Rueda seria o dono oculto de jatos executivos registrados em fundos de investimento e empresas de fachada. A empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), que opera as aeronaves, é apontada como prestadora de serviços para políticos e empresários, incluindo nomes investigados na Carbono Oculto.

Entre as aeronaves citadas estão um Cessna 560XL, um Cessna 525A, um Raytheon R390 e um Gulfstream G200 avaliado em cerca de US$ 18 milhões (quase R$ 100 milhões). Algumas delas aparecem nos registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em nome de empresas como a Magik Aviation e a Bariloche Participações S.A., ligadas a fundos considerados “caixa-preta”.

A Bariloche Participações, sediada em São Paulo, tem ligações com empresários do setor de mineração que já foram alvo de operações de busca e apreensão e é citada em investigações sobre lavagem de dinheiro. Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que os fundos Bariloche e Viena, ligados ao caso, sequer puderam ser auditados.

Enquanto as apurações avançam, a denúncia já provoca forte repercussão política. Especialistas apontam que, se confirmadas, as suspeitas podem abalar os rumos do União Brasil e provocar uma crise nas alianças partidárias. Novos depoimentos e documentos devem ser anexados ao inquérito nos próximos dias, podendo ampliar o alcance da investigação.

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