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Presidente mexicana propõe criminalização do assédio após sofrer agressão

Cláudia Sheinbaum apresentou projeto de reforma constitucional após ser vítima em via pública.

06 de Novembro de 2025
Foto: AP Photo

A presidente do México, Cláudia Sheinbaum, apresentou nesta quarta-feira (5) um projeto de reforma constitucional que prevê a criminalização do assédio sexual em todo o país. A iniciativa foi anunciada dias depois de a chefe de Estado ter sido vítima de agressão, enquanto caminhava na Cidade do México, por um homem que a tocou sem consentimento. O agressor foi detido pelas autoridades locais. 

Segundo Sheinbaum, o objetivo da proposta é transformar o episódio em um marco de mudança e ampliar a proteção legal para todas as mulheres mexicanas. “Quero criar um precedente”, afirmou. 

O incidente ocorreu durante uma caminhada pública em que a presidente cumprimentava simpatizantes. Em determinado momento, um homem tocou seu peito e tentou beijá-la no pescoço. As imagens do ocorrido circularam nas redes sociais e geraram grande repercussão nacional. 

“Decidi apresentar queixa porque isso é algo que eu vivenciei como mulher, mas é algo que as mulheres em nosso país vivenciam”, declarou Sheinbaum em entrevista. “Se não apresentar queixa, o que será de todas as mulheres mexicanas?”. 

Atualmente, o assédio sexual é considerado crime apenas na Cidade do México, mas não há uma legislação uniforme em todo o território nacional. A proposta da presidente busca corrigir essa lacuna e criar uma base legal federal contra a violência sexual. 

O governo também planeja lançar uma campanha nacional de conscientização para reforçar o respeito ao espaço pessoal das mulheres e combater a naturalização da violência de gênero. “O espaço pessoal das mulheres não deve ser violado”, destacou Sheinbaum. 

A presidente da Câmara da Cidade do México, Clara Brugada, manifestou solidariedade à líder mexicana. “Se tocarem na presidente, tocam em todas nós”, disse em comunicado. “Tolerância zero para a violência contra a mulher.” 

As Nações Unidas e o Ministério da Mulher do México condenaram o episódio e reforçaram o apelo para que casos semelhantes sejam denunciados. “Mulheres, adolescentes e meninas não devem ser tocadas!”, afirmou o ministério em nota. 

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi) revelam que mais de 70% das mexicanas com mais de 15 anos já sofreram algum tipo de abuso, e quase metade delas foi vítima de violência sexual. A Cidade do México é o segundo estado com o maior número de registros desse tipo de crime. 

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