Quinta-Feira, (01 de Outubro de 2026)
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Procurador-geral da Bolívia é preso em operação contra organização criminosa

Roger Mariaca investigava Fernando Cerimedo e foi detido após ter visto americano revogado; governo boliviano afirma que ação mira grupo ligado ao narcotráfico.

Por: Portal Amz em Pauta
01 de Outubro de 2026
Foto: AIZAR RALDES / AFP

O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite de quarta-feira (30), no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz. A detenção ocorreu no âmbito de uma operação que, segundo o governo boliviano, investiga uma suposta organização criminosa infiltrada no sistema de Justiça e ligada ao narcotráfico. Mariaca também atuava em investigações envolvendo o consultor político argentino Fernando Cerimedo.

Além de Mariaca, outras 13 pessoas foram detidas na operação, entre elas autoridades e ex-integrantes do governo boliviano. O ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, afirmou que a investigação busca desarticular uma estrutura que teria atuado dentro do Ministério Público para proteger atividades criminosas. As acusações ainda serão analisadas pelas autoridades judiciais, e a responsabilidade dos investigados não está definida.

A prisão ocorreu dois dias depois de os Estados Unidos anunciarem restrições de visto contra autoridades latino-americanas, incluindo Mariaca. Washington o acusou de corrupção e de vínculos com o narcotráfico. O procurador havia reagido à medida afirmando que investigações conduzidas por ele tinham repercussões internacionais, citando o caso Cerimedo.

O Ministério Público boliviano contestou a forma como Mariaca e o procurador departamental de Santa Cruz, Alberto Zeballos, foram detidos. Em transmissão pelas redes sociais, representantes da instituição afirmaram que os dois teriam sido retidos sem apresentação imediata de mandado ou documento que explicasse a medida. A apuração sobre as circunstâncias das prisões continua.

Fernando Cerimedo está preso na Bolívia desde agosto e é investigado no país por acusações que incluem tentativa de feminicídio, tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. A defesa dele nega as acusações e sustenta que o caso tem motivação política. No Brasil, Cerimedo ganhou notoriedade em 2022 ao divulgar, sem apresentar provas, alegações de fraude no sistema eleitoral brasileiro.

O governo boliviano afirma que a operação foi conduzida por autoridades locais, embora tenha reconhecido cooperação internacional no combate ao narcotráfico. O caso amplia a crise envolvendo o Ministério Público do país e deve entrar na pauta política boliviana, já que o Congresso foi convocado para discutir a situação da instituição nos próximos dias.

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