Iniciativa apoiada pelo Fundo Amazônia deve beneficiar comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas até 2029.
Comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas do Amazonas serão beneficiadas pelo projeto Prospera na Floresta, iniciativa voltada ao fortalecimento do turismo sustentável de base comunitária, da sociobiodiversidade e do empreendedorismo em áreas protegidas do estado.
Executado pela Fundação Amazônia Sustentável, com apoio do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES, o projeto tem previsão de atuação até 2029. A iniciativa abrange 22 áreas protegidas sob gestão da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas.
Ao todo, a ação deve alcançar mais de 20 milhões de hectares e beneficiar mais de 14 mil famílias, com impacto direto em 11.344 pessoas. Entre os eixos principais estão a estruturação de experiências de turismo sustentável, o apoio a negócios comunitários e o fortalecimento da geração de renda associada à floresta em pé.
O turismo de base comunitária é um dos destaques do projeto. A proposta é apoiar comunidades que recebem visitantes em territórios protegidos, valorizando saberes tradicionais, modos de vida, gastronomia, artesanato, cultura local e a relação das populações amazônicas com a floresta.
A iniciativa também busca organizar cadeias produtivas ligadas à sociobiodiversidade, ampliando oportunidades para produtos e serviços oferecidos pelas comunidades. O objetivo é fortalecer a economia local sem romper com a conservação ambiental e com a proteção dos territórios.
Segundo a FAS, o projeto prevê ações como capacitação de lideranças, apoio à gestão comunitária, estruturação de unidades de beneficiamento, disponibilização de equipamentos para escoamento produtivo e investimentos em infraestrutura voltada à produção sustentável.
O planejamento inclui atividades em Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios quilombolas. Entre os municípios contemplados estão Atalaia do Norte, Lábrea, Manicoré e Nhamundá, com ações em territórios como Vale do Javari, Caititu, Lago Jauari, Pinatuba e Nhamundá-Mapuera.
No eixo indígena, estão previstas ações de fortalecimento dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental, apoio a associações femininas ligadas à sociobiodiversidade e construção de núcleos de prosperidade indígena nas Terras Indígenas Vale do Javari e Nhamundá-Mapuera.
Para o coordenador executivo de projetos da FAS, Gil Lima, o desafio é estruturar cadeias que garantam escala, qualidade e acesso ao mercado. Segundo ele, o Prospera na Floresta busca conectar produção, organização comunitária e oportunidades econômicas nos próprios territórios.
A coordenadora do Programa Indígena da FAS, Rosa dos Anjos, do povo Mura, destaca que o projeto vai além da geração de renda. Para ela, a iniciativa fortalece a autonomia, a cultura, a governança e o bem viver dos povos indígenas do Amazonas.
O projeto também prevê formações em gestão, finanças, acesso a mercado, desenvolvimento de produtos, certificações, estratégias de marketing e promoção comercial. As ações devem beneficiar especialmente mulheres, jovens, empreendedores comunitários e populações quilombolas.
Com foco no turismo sustentável e na bioeconomia, o Prospera na Floresta reforça o papel das comunidades como protagonistas na conservação da Amazônia e na construção de experiências turísticas conectadas à cultura, à natureza e ao desenvolvimento local.