Cultura em pauta

Projeto valoriza corpos femininos longevos na dança amazonense

‘O Tempo no Corpo’ reúne artistas acima dos 50 anos em processo criativo.

09 de Julho de 2025
Foto: Divulgação

O projeto “Ateliê de Criação O Tempo no Corpo”, idealizado pela artista Francis Baiardi, propõe valorizar os corpos femininos longevos na dança contemporânea do Amazonas. A iniciativa reúne artistas experientes em um processo de criação cênica e reflexão sobre tempo, corpo e potência criativa, fomentando uma nova abordagem artística para o envelhecimento na cena cultural.

Francis Baiardi atua como propositora, pesquisadora, professora e diretora artística do projeto, conduzindo as artistas Cleia Alves (57 anos), Jeanne Abreu (69) e Susana Cláudia (61). O ateliê começou neste mês de julho, com atividades de preparação corporal, e segue até agosto, quando serão apresentados solos autorais em processo. A proposta também conta com a participação da Mestra Ana Mendes, cuja trajetória será registrada em um minidocumentário.

O ateliê discute temas como etarismo na dança, desconstrução de padrões corporais e preconceito contra corpos idosos. “Quando a gente chega a uma certa idade, o corpo tem suas mudanças fisiológicas, mas a longevidade de um artista continua potente. Tenho energia, quero continuar trabalhando e existindo artisticamente. Essa pauta é urgente, porque esses corpos ainda estão em movimento, têm sensibilidade, história e sabedoria a compartilhar”, destaca Francis Baiardi.

Oficina: ridículo como potência criativa

Como parte das ações, o projeto realiza nos dias 8 e 10 de julho a oficina “SeRidículo: Corpo Somático Performance”, ministrada pelo artista Francisco Rider. A proposta da oficina é explorar o “ridículo” como ferramenta filosófica e criativa, rompendo com padrões fixos sobre o corpo e a performance.

“A oficina oferece procedimentos que atravessam improvisação, criação, somáticos e performance para que o artista ou qualquer pessoa se despadronize de saberes fixos, abrindo-se para outras possibilidades de se apresentar. O ridículo aqui é uma ferramenta filosófica e existencial, que permite atravessar estados corporais do trágico ao cômico, aprofundando o autoconhecimento e a metamorfose do corpo diante do tempo”, explica Francisco.

Reconhecimento e permanência

Mais que uma ação artística, o Ateliê de Criação O Tempo no Corpo propõe reconhecimento e permanência dos corpos maduros na arte, desafiando estigmas sobre o envelhecimento. O projeto reafirma o tempo como acúmulo de saber, expressão e presença, e não como limite.

A iniciativa foi contemplada pelo Edital Macro de Chamamento Público nº 002/2024, da Lei nº 14.399 – Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB Manaus), com apoio da ManausCult, Conselho Municipal de Cultura, Prefeitura de Manaus, Ministério da Cultura e Governo Federal. A realização é da Avá Produção Cultural, de Francis Baiardi, com assistência de produção de Jady Castro, e conta com apoio da ESAT/UEA e da Secretaria de Cultura do Amazonas (SEC).

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