Até então, a PDI era conhecida por ajudar a dobrar corretamente outras proteínas no citoplasma (a parte externa das células).
Uma proteína naturalmente presente no corpo humano pode ser a chave para novos tratamentos contra doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, Parkinson e doença do neurônio motor (DNM). A descoberta é de pesquisadores da Universidade Macquarie, na Austrália, que identificaram uma nova função da proteína dissulfeto isomerase (PDI).
Até então, a PDI era conhecida por ajudar a dobrar corretamente outras proteínas no citoplasma (a parte externa das células). Mas o novo estudo revela que ela também se desloca para o núcleo da célula, onde atua na reparação de danos graves no DNA — especificamente nas chamadas quebras de fita dupla, consideradas uma das lesões mais perigosas ao material genético.
“Assim como um corte na pele precisa ser curado, o DNA em nossas células também precisa de reparos constantes”, explica o neurobiólogo Dr. Sina Shadfar, líder da pesquisa.
À medida que envelhecemos, a capacidade de reparo do DNA diminui, ao mesmo tempo em que aumentam os impactos provocados por estressores ambientais, como poluição ou radiação UV. Esse acúmulo de danos está diretamente ligado ao envelhecimento e ao surgimento de doenças cerebrais degenerativas.
Durante os testes em laboratório, a equipe induziu danos ao DNA em células cancerígenas humanas e em neurônios de camundongos, retirou a PDI, observando uma queda na capacidade de autorreparo das células, reintroduziu a proteína, o que levou à melhora significativa na reparação do DNA.
E ainda confirmou os resultados em peixes-zebra vivos, mostrando que o aumento da PDI protege os animais dos danos genéticos causados pela idade. A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de terapias que aumentem a ação ou a produção da PDI no organismo, com potencial para retardar ou prevenir doenças associadas ao envelhecimento cerebral.