Sébastien Lecornu assume em meio a bloqueios, confrontos e forte mobilização policial.
A chegada de Sébastien Lecornu ao cargo de primeiro-ministro francês foi marcada por um dia de protestos intensos em várias cidades da França nesta quarta-feira (10). Manifestantes do movimento de esquerda “Bloquear Tudo” saíram às ruas com palavras de ordem como “Precisamos de mudança”, resultando em confrontos com a polícia e dezenas de detenções.
Segundo balanço oficial, 145 pessoas foram identificadas e 34 detidas em Paris, onde as autoridades impediram que cerca de mil manifestantes invadissem a estação Gare du Nord. Barricadas foram erguidas em estradas e objetos atirados contra policiais. Em Marselha, 200 pessoas foram contidas ao tentar bloquear uma via, enquanto em Toulouse um incêndio rapidamente controlado paralisou o tráfego ferroviário.
O ministro do Interior, Bruno Retailleau, afirmou que também houve tentativas de bloqueio em Bordéus por cerca de 50 pessoas encapuzadas. Protestos ainda afetaram o trânsito em Montpellier, Nantes e Lyon. Para conter os atos, o governo mobilizou 80 mil agentes de segurança em todo o país.
Críticas à nomeação e resposta do governo
A escolha do presidente Emmanuel Macron de nomear Lecornu, considerado um aliado discreto e técnico, foi vista por parte da oposição como uma “bofetada”. Macron anunciou a troca após o antecessor, François Bayrou, perder voto de confiança no Parlamento.
Nas redes sociais, Lecornu afirmou que seu governo buscará “estabilidade política e institucional que garanta a unidade do país”. No entanto, os manifestantes pressionam por medidas como o fim da proposta de eliminar dois feriados anuais, redução de custos médicos e melhores condições de licença médica.
Contexto político
Lecornu é o sétimo primeiro-ministro desde 2017 e o terceiro em menos de um ano, reflexo da instabilidade política enfrentada por Macron em seu segundo mandato. Analistas apontam que sua falta de ambições presidenciais pode beneficiar o presidente, que busca maior controle em um cenário de polarização crescente.
A dimensão exata dos protestos é difícil de mensurar, já que os principais sindicatos não aderiram à mobilização, preferindo organizar uma greve nacional no próximo dia 18 de setembro.