País enfrenta maior onda de manifestações em anos e governo sinaliza repressão mais dura.
Manifestações contra o governo do Irã já deixaram ao menos 65 mortos e cerca de 2.300 presos, segundo dados divulgados neste sábado pelo grupo de direitos humanos iraniano HRANA. O país vive as maiores manifestações contra o regime em anos, em meio a sinais de que as autoridades podem intensificar a repressão aos protestos.
De acordo com o levantamento, entre as vítimas fatais estão pelo menos 50 manifestantes e 15 membros das forças de segurança. As mobilizações se espalharam por diversas regiões e têm sido marcadas por confrontos, detenções em massa e uso de força letal por agentes do Estado.
As tensões aumentaram um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitir um novo aviso de que o país pode intervir na crise. Relatos de violência continuaram surgindo em várias cidades, embora um apagão na internet tenha dificultado a avaliação da dimensão total dos distúrbios.
O filho exilado do último xá do Irã, Reza Pahlavi, que se tornou uma das principais vozes da oposição fragmentada, fez o apelo mais contundente até agora para que os protestos se transformem em uma revolta capaz de derrubar os governantes clericais.
Imagens divulgadas nas redes sociais na sexta-feira (9) mostraram grandes multidões reunidas em Teerã e fogos acesos nas ruas durante a noite. A agência Reuters afirmou ter confirmado a localização dos registros por meio da comparação de pontos de referência com imagens de satélite.
Os protestos começaram em 28 de dezembro, inicialmente como reação ao aumento da inflação, mas rapidamente assumiram caráter político, com manifestantes exigindo o fim do governo clerical. As autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de estimular a agitação no país.
Uma testemunha no oeste do Irã relatou por telefone que os Guardas Revolucionários estavam posicionados na região e abrindo fogo. A pessoa se recusou a se identificar por razões de segurança.
Em comunicado transmitido pela TV estatal, os Guardas Revolucionários acusaram "terroristas" de atacar bases militares e policiais nas duas últimas noites, afirmando que cidadãos e membros das forças de segurança foram mortos e que propriedades públicas e privadas foram incendiadas.
Em vídeo publicado na rede social X, Reza Pahlavi, de 65 anos, afirmou que a República Islâmica será colocada "de joelhos". Ele pediu que a população tome os centros das cidades e disse estar se preparando para retornar em breve ao Irã.
Um médico do noroeste do país informou que, desde sexta-feira, um grande número de manifestantes feridos foi levado a hospitais, muitos com lesões graves, como ferimentos na cabeça, fraturas nos braços e pernas e cortes profundos. Segundo ele, ao menos 20 pessoas foram baleadas com munição real em um hospital, e cinco delas morreram posteriormente.
Com informações da Reuters*