Saúde

Psilocibina altera cérebro por até um mês, aponta estudo

Pesquisa avaliou 28 adultos saudáveis e identificou maior bem-estar após dose única da substância.

Por: Portal Amz em Pauta
09 de Maio de 2026
Foto: Adobe Stock

Uma única dose de psilocibina, substância presente em alguns cogumelos alucinógenos, pode provocar alterações mensuráveis no cérebro por até um mês, segundo estudo publicado na revista Nature Communications. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Imperial College London e analisou 28 adultos saudáveis, sem histórico de uso de psicodélicos, apontando melhora no bem-estar psicológico e na flexibilidade cognitiva dos participantes.

No estudo, os voluntários receberam duas doses orais de psilocibina, com intervalo de um mês. A primeira foi de 1 mg, considerada subativa e usada como controle. A segunda foi de 25 mg, dose alta capaz de induzir efeitos psicodélicos intensos. Os pesquisadores acompanharam os participantes por meio de exames como eletroencefalograma, ressonância magnética funcional e imagem por tensor de difusão.

De acordo com os dados apresentados, 94% dos participantes classificaram a experiência com 25 mg como “o estado de consciência mais incomum de toda a minha vida”. A dose de 1 mg, por outro lado, foi descrita pela maioria como semelhante a um dia comum. Um mês depois da dose alta, os pesquisadores também observaram alterações em fibras de substância branca do cérebro, ligadas a regiões envolvidas na tomada de decisão, no controle motor e na regulação emocional.

Os resultados psicológicos também indicaram mudanças relevantes. A flexibilidade cognitiva melhorou após a dose alta, assim como o insight psicológico, avaliado em diferentes momentos depois da experiência. O bem-estar, medido pela escala Warwick-Edinburgh, aumentou em média 4,7 pontos após um mês e 5,8 pontos após duas semanas, em comparação ao grupo controle.

Apesar dos achados, especialistas destacam que o estudo deve ser interpretado com cautela. A pesquisa teve apenas 28 participantes, foi feita em ambiente controlado e avaliou pessoas saudáveis, o que impede aplicar diretamente os resultados a pacientes com transtornos mentais. Os autores afirmam que novos estudos serão necessários para avaliar possíveis aplicações clínicas seguras, eficazes e regulamentadas.

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