Pesquisa avaliou 28 adultos saudáveis e identificou maior bem-estar após dose única da substância.
Uma única dose de psilocibina, substância presente em alguns cogumelos alucinógenos, pode provocar alterações mensuráveis no cérebro por até um mês, segundo estudo publicado na revista Nature Communications. A pesquisa foi conduzida por cientistas do Imperial College London e analisou 28 adultos saudáveis, sem histórico de uso de psicodélicos, apontando melhora no bem-estar psicológico e na flexibilidade cognitiva dos participantes.
No estudo, os voluntários receberam duas doses orais de psilocibina, com intervalo de um mês. A primeira foi de 1 mg, considerada subativa e usada como controle. A segunda foi de 25 mg, dose alta capaz de induzir efeitos psicodélicos intensos. Os pesquisadores acompanharam os participantes por meio de exames como eletroencefalograma, ressonância magnética funcional e imagem por tensor de difusão.
De acordo com os dados apresentados, 94% dos participantes classificaram a experiência com 25 mg como “o estado de consciência mais incomum de toda a minha vida”. A dose de 1 mg, por outro lado, foi descrita pela maioria como semelhante a um dia comum. Um mês depois da dose alta, os pesquisadores também observaram alterações em fibras de substância branca do cérebro, ligadas a regiões envolvidas na tomada de decisão, no controle motor e na regulação emocional.
Os resultados psicológicos também indicaram mudanças relevantes. A flexibilidade cognitiva melhorou após a dose alta, assim como o insight psicológico, avaliado em diferentes momentos depois da experiência. O bem-estar, medido pela escala Warwick-Edinburgh, aumentou em média 4,7 pontos após um mês e 5,8 pontos após duas semanas, em comparação ao grupo controle.
Apesar dos achados, especialistas destacam que o estudo deve ser interpretado com cautela. A pesquisa teve apenas 28 participantes, foi feita em ambiente controlado e avaliou pessoas saudáveis, o que impede aplicar diretamente os resultados a pacientes com transtornos mentais. Os autores afirmam que novos estudos serão necessários para avaliar possíveis aplicações clínicas seguras, eficazes e regulamentadas.