Presidente apresentou realizações do governo, definiu cinco compromissos e convocou militância para campanha eleitoral.
A chapa formada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin foi oficializada no último domingo (2), durante a Convenção Nacional do Partido dos Trabalhadores, realizada em São Paulo. A candidatura recebeu o apoio de sete legendas, entre elas PSB, PCdoB, PV, PDT e Rede. Em seu discurso, Lula recorreu à própria trajetória e aos resultados de seus governos para defender um novo ciclo de desenvolvimento, inclusão social e proteção da soberania brasileira.
Ao comparar seu projeto com o período de governo da extrema direita, Lula afirmou que a campanha será sustentada pelas políticas públicas já implantadas e pela capacidade demonstrada de melhorar as condições de vida da população. O presidente citou programas como Prouni, Reuni, Fies, Pé-de-Meia e Minha Casa, Minha Vida, além da retomada da demarcação de terras indígenas e da regularização de territórios quilombolas. Segundo ele, quem já realizou ações concretas possui condições de apresentar compromissos mais ambiciosos.
Lula também defendeu mudanças na distribuição e na execução do Orçamento da União. O presidente criticou o crescimento das emendas parlamentares e a transferência de atribuições do Poder Executivo para o Legislativo, afirmando que o tema deverá ser enfrentado por meio de um debate democrático. Para ele, será necessário eleger uma bancada comprometida com a recuperação da capacidade do Estado de planejar investimentos e executar políticas de alcance nacional.
Ao projetar um eventual quarto mandato, Lula afirmou que o país precisa avançar além da reconstrução dos programas sociais e ampliar os investimentos em educação, ciência, tecnologia, indústria e infraestrutura. O presidente declarou que não pretende ser lembrado apenas pela criação e pelo fortalecimento do Bolsa Família, apesar da importância do programa no combate à fome. Ele também mencionou a aprovação da reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil.
Durante o discurso, Lula apresentou cinco compromissos para um novo governo: proteger os recursos estratégicos brasileiros, enfrentar a violência contra as mulheres, transformar a educação, criar uma política nacional destinada aos idosos e fortalecer a defesa do país. Ao falar sobre terras raras, minerais críticos e inteligência artificial, defendeu que o Brasil deixe de atuar apenas como fornecedor de matérias-primas e passe a produzir conhecimento, tecnologia e produtos de maior valor agregado.
O enfrentamento ao feminicídio também foi colocado entre as prioridades. Lula afirmou que a violência contra as mulheres não pode ser tratada como uma responsabilidade exclusiva das vítimas ou dos movimentos feministas. O presidente lembrou a criação do Pacto Nacional contra o Feminicídio, o pagamento de pensões alimentícias por meio do Pix e o uso de tornozeleiras eletrônicas com sistemas capazes de alertar mulheres protegidas por medidas judiciais. Ele defendeu relações baseadas em respeito, igualdade e companheirismo.
Lula reconheceu que seus governos não conseguiram atender a todas as expectativas e pediu desculpas pelos erros e pelas medidas que não foram realizadas. Ao abordar a disputa eleitoral, alertou para o uso de conteúdos falsos produzidos ou impulsionados por inteligência artificial. O presidente defendeu que a militância evite confrontos pessoais e utilize argumentos, diálogo e comparações entre projetos para convencer eleitores, inclusive aqueles que se aproximaram do bolsonarismo. Segundo ele, as entregas do governo deverão prevalecer sobre a desinformação.
O presidente ainda recordou a criação do PT, homenageou figuras como Paulo Freire, Henfil e Betinho e destacou o papel da legenda na união de sindicalistas, movimentos populares e diferentes correntes da esquerda. Lula também elogiou Geraldo Alckmin pela experiência administrativa e pelo trabalho no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Ao final, afirmou que quase todas as prefeituras receberam alguma ação do Novo PAC entre 2023 e 2026 e convocou a militância para um ato marcado para 16 de agosto, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo.