Política

Quatro deputados do PL deixam o partido sob pressão do bolsonarismo

Partido perdeu pelo menos quatro deputados federais em 2024, com queixas sobre a crescente radicalização interna e o alinhamento exigido com a agenda bolsonarista

07 de Janeiro de 2025
Foto: Reprodução

Em 2024, o PL registrou a saída de pelo menos quatro deputados federais, um reflexo da crescente pressão interna para seguir a linha bolsonarista e se opor a qualquer proposta de partidos à esquerda. O partido, que em 2022 elegeu 99 deputados, atualmente conta com 94 parlamentares, sendo cinco baixas devido a saídas e à morte de Amália Barros, vice-presidente do PL Mulher. 

Ex-integrantes da legenda destacam que, após a filiação de Jair Bolsonaro e de seus aliados em 2021, o PL passou a se inclinar para uma direita mais radical. A mudança de perfil foi atribuída a parlamentares alinhados ao bolsonarismo, e não ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto. Para os críticos, enquanto a maioria segue uma agenda conservadora e direitista, um pequeno grupo, cerca de 20 deputados, mantém um perfil mais moderado. 

Um dos deputados que deixou o PL, Samuel Viana, atualmente no Republicanos-MG, contou que a pressão da ala mais radical do partido, chamada de "direita raiz", foi determinante para sua saída no fim de 2023. Segundo ele, havia uma tentativa constante de impor uma linha de voto contra qualquer proposta da esquerda, o que gerava conflitos internos. “Os parlamentares da ala extremista não aceitavam que outros parlamentares tinham outro perfil. Queriam impor para votarem tudo contra [a esquerda]”, explicou. Viana acredita que esse viés radical tem ganhado cada vez mais força dentro do PL. 

A pressão também resultou na saída de outros deputados. Yuri do Paredão (atualmente no MDB-CE), Luciano Vieira (Republicanos-RJ) e Junior Mano (PSB-CE) também deixaram a sigla. Mano foi expulso após apoiar Evandro Leitão (PT), candidato à Prefeitura de Fortaleza, contra o bolsonarista André Fernandes, que era o candidato do PL. Ao se despedir do PL, Mano criticou a expulsão, apontando que Bolsonaro foi o responsável por sua saída. “Reconheço que as decisões que você está sendo obrigado a tomar não refletem seu verdadeiro desejo. Todos sabem que o ex-presidente Bolsonaro está no comando do partido e foi ele quem solicitou minha expulsão”, afirmou em suas redes sociais. 

Luciano Vieira relatou que sua saída foi motivada pelo apoio ao irmão, Leo Vieira (Republicanos), na disputa à Prefeitura de São João de Meriti, onde derrotou o candidato do PL. "O partido acabou seguindo com o prefeito da cidade, que era nosso adversário, oposição de lá, e acabou que eu tive que sair pra disputar a eleição e ganharmos", explicou. 

Yuri do Paredão, por sua vez, disse que sua saída ocorreu por defender o diálogo, o respeito às instituições e acreditar no governo Lula, apesar de manter respeito por Valdemar Costa Neto. "Minha saída do PL aconteceu por defender o diálogo, o respeito às instituições e acreditar no governo Lula", afirmou. 

Em resposta às saídas, o PL emitiu uma nota afirmando que nenhuma delas ocorreu por causa do alinhamento com o bolsonarismo ou com as pautas da direita. De acordo com o partido, as mudanças foram motivadas por razões regionais ou pessoais, e que muitos parlamentares têm manifestado interesse em se filiar ao PL devido ao vínculo com o bolsonarismo, com a expectativa de crescimento nas próximas eleições. 

Historicamente, o PL tem suas raízes na Arena, o partido que apoiava o regime militar, e, sob a liderança de Valdemar Costa Neto, tem flutuado entre adesão e oposição aos governos. Após a chegada de Bolsonaro, em 2021, o PL se consolidou como um dos maiores partidos do país, destacando-se por sua crescente proximidade com o ex-presidente e seu núcleo bolsonarista.

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