Sexta-Feira, (06 de Novembro de 2026)
Economia

Queda em Wall Street derruba mercados pelo mundo

Temor de novas restrições à inteligência artificial após vitória democrata nos EUA provoca perdas bilionárias e derruba bolsas da Ásia e da Europa.

Por: Portal Amz em Pauta
06 de Novembro de 2026
Foto: REUTERS/Brendan McDermid

Os mercados financeiros internacionais registraram fortes quedas nesta sexta-feira (6), após uma onda de vendas em Wall Street provocar perdas bilionárias e atingir bolsas da Ásia e da Europa. O movimento começou na quinta-feira (5), quando os principais índices americanos despencaram diante de preocupações com o futuro dos investimentos em inteligência artificial (IA). A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos aumentou o receio de novas regras para empresas de tecnologia e possíveis restrições à expansão de centros de dados, responsáveis por sustentar o desenvolvimento de sistemas de IA.

Nos Estados Unidos, o S&P 500, que reúne 500 das principais empresas negociadas no país, caiu 4,4%, encerrando a sessão aos 7.353,73 pontos. Foi a maior queda diária do índice desde abril de 2025, quando o presidente Donald Trump anunciou uma série de tarifas sobre produtos importados. O Dow Jones recuou 3,4%, para 51.523,06 pontos, enquanto o Nasdaq, fortemente ligado ao setor tecnológico, despencou 5,5%, fechando aos 24.315 pontos. As perdas atingiram principalmente empresas envolvidas na produção de semicondutores, infraestrutura digital e inteligência artificial.

Entre as companhias mais prejudicadas estiveram fabricantes de chips e empresas ligadas à construção de centros de processamento de dados. A queda reflete dúvidas sobre a capacidade dessas companhias de transformar os investimentos bilionários em inteligência artificial em lucros sustentáveis. Analistas também apontam preocupação com os custos elevados de energia, equipamentos e infraestrutura necessários para manter essas operações. A possibilidade de uma fiscalização mais rigorosa por parte do Congresso americano ampliou a cautela dos investidores, embora ainda não exista confirmação de novas restrições ao setor.

O impacto chegou rapidamente à Ásia, onde as principais bolsas encerraram a sexta-feira em forte baixa. No Japão, o índice Nikkei caiu 5,96%, fechando aos 57.434 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 6,02%, terminando aos 5.059 pontos, depois de chegar a recuar mais de 8% durante o pregão. A queda acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompeu as negociações por 20 minutos para conter a volatilidade. Taiwan também registrou perdas expressivas, com recuo de 4,51%, enquanto as bolsas da China e de Hong Kong apresentaram desvalorizações menores.

Na Europa, o cenário também foi negativo. O índice pan-europeu Stoxx 600, que acompanha algumas das maiores empresas do continente, operava em queda de aproximadamente 1% durante a manhã. As bolsas de Frankfurt, Paris e Londres também registravam perdas, acompanhando o aumento da aversão ao risco. Apesar da pressão internacional, os mercados europeus apresentaram recuos mais moderados do que os asiáticos, em parte devido à menor concentração de empresas diretamente ligadas ao setor de inteligência artificial.

A instabilidade ocorre em um momento de incertezas sobre o ritmo de crescimento do setor tecnológico e os impactos das decisões políticas nos Estados Unidos. Segundo analistas, a vitória democrata aumentou as expectativas de fiscalização sobre a construção de centros de dados, especialmente por causa do consumo elevado de energia e dos impactos ambientais dessas estruturas. Entretanto, a possibilidade de novas regras ainda depende de discussões políticas e legislativas. Para especialistas, o movimento também representa uma correção nos preços de ações que passaram por forte valorização nos últimos meses, impulsionadas pelo entusiasmo com a inteligência artificial.

Apesar das perdas registradas nesta sexta-feira, parte dos índices asiáticos ainda acumula valorização na comparação com o início do ano. Os próximos movimentos dependerão das perspectivas de investimentos em tecnologia, das decisões dos bancos centrais e dos indicadores econômicos americanos. Investidores também acompanham o comportamento das grandes empresas de inteligência artificial, buscando sinais de recuperação após uma das maiores ondas recentes de vendas nos mercados internacionais.

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