OMS afirma que surto foi detectado tardiamente e já soma mais de mil infectados e 267 mortes no país africano.
A República Democrática do Congo enfrenta o maior número de casos confirmados no primeiro mês de um surto de Ebola já registrado na África, segundo informou a Organização Mundial da Saúde (OMS). O avanço da doença preocupa autoridades sanitárias pela velocidade de transmissão e pela dificuldade de resposta nas áreas afetadas.
De acordo com dados divulgados pelas autoridades congolesas, o surto já soma 1.048 casos confirmados e 267 mortes. A atual emergência envolve a cepa Bundibugyo, considerada rara, e foi oficialmente declarada em 15 de maio, embora especialistas apontem que o vírus já circulava havia meses antes da identificação formal.
A OMS afirma que a resposta precisa ser ampliada para acompanhar a expansão do surto. O epicentro está na região de Bunia, no leste da RD Congo, área marcada por deslocamentos populacionais, insegurança e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Casos também foram registrados em campos de deslocados, onde as condições de superlotação aumentam o risco de transmissão. Segundo a Organização Internacional para as Migrações, pelo menos 25 casos foram confirmados nesses locais, incluindo 14 mortes.
O surto atual reacende o alerta sobre a capacidade de contenção do Ebola em regiões vulneráveis. Entre os principais desafios estão a identificação de contatos, o isolamento de pacientes, a falta de estrutura adequada e a necessidade de reforço no atendimento às comunidades afetadas.
A República Democrática do Congo já enfrentou outros surtos de Ebola nas últimas décadas. No entanto, o atual cenário preocupa pela velocidade de crescimento dos casos, pela circulação em áreas densamente povoadas e pela presença de populações deslocadas.
As autoridades de saúde seguem monitorando a evolução do surto e reforçando medidas de resposta para tentar conter a propagação do vírus.