O novo acordo marca um ponto de virada nas relações bilaterais, impulsionado por uma mudança na ordem global catalisada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
O Reino Unido e a União Europeia anunciaram, nesta segunda-feira (19), a maior redefinição dos laços comerciais e de defesa desde o Brexit, pondo fim a anos de tensões e isolamento pós-divórcio. O novo acordo marca um ponto de virada nas relações bilaterais, impulsionado por uma mudança na ordem global catalisada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e por alertas sobre a necessidade de a Europa reforçar sua segurança.
Quase nove anos após o referendo que tirou os britânicos do bloco, Londres volta a se aproximar de Bruxelas com uma série de medidas que incluem parcerias em compras militares conjuntas, facilitação de comércio agrícola, acordo de pesca de longo prazo e benefícios práticos para viajantes britânicos, como o uso de e-gates nos aeroportos da UE.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que foi defensor da permanência na UE, vê a reaproximação como uma oportunidade de apresentar ganhos concretos à população, em contraste com o discurso nacionalista de figuras como Nigel Farage, que já classificam o gesto como "traição" ao espírito do Brexit.
O governo britânico estima que o pacote trará quase 9 bilhões de libras (US$ 12,1 bilhões) em ganhos à economia até 2040, além de reduzir a burocracia para exportadores de alimentos e melhorar a segurança energética. O acordo representa o terceiro grande entendimento firmado por Londres este mês, após negociações bem-sucedidas com Índia e Estados Unidos, e pode elevar a confiança do setor privado, atraindo investimentos estratégicos.
No centro da nova parceria está um acordo de defesa e segurança, que permitirá ao Reino Unido participar de aquisições conjuntas da UE e inserir empresas britânicas — como BAE Systems, Rolls-Royce e Babcock — em um programa europeu de 150 bilhões de euros para rearmamento do continente.
Outro ponto sensível tratado foi o da pesca. Os dois lados concordaram em permitir o acesso recíproco às águas territoriais por 12 anos, eliminando barreiras comerciais que prejudicavam pequenos produtores do Reino Unido, em troca da manutenção de regras mais brandas de fronteira.