Nível do rio baixou sete centímetros em 24 horas, e formação de bancos de areia já provoca dificuldades na travessia de balsas na região metropolitana.
O nível do Rio Negro continua diminuindo em Manaus e atingiu a marca de 17,92 metros nesta sexta-feira (9), segundo dados oficiais do Porto de Manaus. A medição representa uma queda de sete centímetros em relação à quinta-feira (8), quando o rio registrava 17,99 metros. O avanço da vazante já provoca dificuldades na navegação, principalmente em trechos mais rasos, onde a formação de bancos de areia exige maior cautela dos condutores de embarcações.
A redução do nível das águas vem sendo registrada desde setembro. No primeiro dia daquele mês, o Rio Negro estava com 24,09 metros. Ao final de setembro, a cota havia caído para 18,88 metros, uma redução de 5,21 metros em 30 dias. A descida continuou em outubro, quando o rio passou de 18,73 metros, no dia 1º, para 17,92 metros nesta sexta-feira, acumulando mais 81 centímetros de queda em nove dias.
Os impactos da vazante já podem ser observados no transporte fluvial. Na manhã desta sexta-feira, uma passageira registrou o momento em que uma balsa precisou navegar em velocidade reduzida para chegar ao Porto da Ceasa, na capital amazonense. As imagens mostram a embarcação atravessando um trecho estreito e raso, onde bancos de areia dificultam a passagem e aumentam o risco de encalhe.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a descida dos rios acompanha o comportamento esperado para esta época do ano. Apesar de algumas estações de monitoramento apresentarem volumes de chuva abaixo da média, os principais rios da Bacia Amazônica permanecem dentro dos níveis considerados normais para o período. A previsão é de continuidade da vazante nas próximas semanas, diante da expectativa de chuvas abaixo da média em algumas regiões.
O cenário também preocupa municípios do interior do Amazonas, onde o transporte fluvial é fundamental para o deslocamento de moradores e o abastecimento das comunidades. Conforme dados da Defesa Civil do Amazonas citados pelo SGB, 29 municípios estavam em situação de emergência devido aos impactos da estiagem. Outros 16 estavam em alerta e 15 em situação de atenção.
A diminuição do nível dos rios pode comprometer o acesso a comunidades ribeirinhas, dificultar o transporte de passageiros e mercadorias e aumentar o tempo necessário para percorrer determinados trajetos. Em áreas de menor profundidade, os condutores precisam adaptar as rotas e reduzir a velocidade para evitar acidentes e encalhes.
Apesar da queda acentuada, a cota atual ainda está acima dos níveis registrados durante as secas históricas recentes. Em 9 de outubro de 2024, o Rio Negro chegou a 12,11 metros, marca apontada como o menor nível da série histórica do Porto de Manaus. A diferença em relação à medição desta sexta-feira é de 5,81 metros.
O monitoramento do Rio Negro continuará sendo realizado pelo Porto de Manaus e pelo Serviço Geológico do Brasil. As próximas medições serão importantes para acompanhar o ritmo da vazante e avaliar possíveis agravamentos nos impactos sobre a navegação, o abastecimento e a rotina das comunidades que dependem dos rios amazônicos.