Amazonas

Rio Negro pode atingir nível próximo às secas históricas de 2023 e 2024

Projeção do Serviço Geológico do Brasil aponta risco de vazante severa em Manaus; cenário mais crítico estima cota de 12,90 metros

Por: Portal Amz em Pauta
29 de Junho de 2026
Foto: William Duarte/Rede Amazônica

O Rio Negro pode registrar, em Manaus, uma das menores cotas já observadas durante o período de vazante. A projeção é do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que aponta risco de seca severa caso se repitam condições semelhantes às registradas nos anos recentes de estiagem extrema na capital amazonense.

De acordo com o órgão, os cenários foram elaborados com base no histórico de medições do rio entre 1903 e 2025. A estimativa, divulgada na última sexta-feira (26), considera a cota máxima alcançada durante a cheia e diferentes padrões de descida já registrados ao longo da série histórica do Rio Negro.

No cenário mais crítico, o rio poderia atingir 12,90 metros, nível próximo aos observados nas maiores secas da história de Manaus. As menores cotas já registradas na capital foram de 12,66 metros, em 2024; 12,70 metros, em 2023; e 13,63 metros, em 2010. Outras projeções indicam que o Rio Negro pode chegar a 13,96 metros em caso de estiagem severa, ou a 14,76 metros se a vazante seguir comportamento semelhante ao registrado em 2015, considerado um ano crítico.

Segundo o SGB, o alerta ocorre porque a curva inicial de descida do Rio Negro apresenta características parecidas com as observadas em 2023, quando foi registrada a segunda menor cota da história da capital amazonense. Apesar disso, os modelos climáticos mais recentes ainda não indicam uma estiagem extrema nos mesmos padrões daquele ano.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, avalia que há risco de uma queda rápida dos níveis dos rios nos próximos meses, especialmente se houver influência do fenômeno El Niño. “O start do evento no início do segundo semestre pode trazer uma queda dos níveis do rio de uma forma bem acentuada e rápida. Esse é o problema”, afirmou.

O El Niño é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador. O fenômeno altera os padrões climáticos e pode reduzir o volume de chuvas na Amazônia, favorecendo períodos de seca mais intensos. Caso o cenário se confirme, a vazante pode afetar a navegação, o abastecimento, a rotina de comunidades ribeirinhas e a dinâmica econômica em diferentes regiões do Amazonas.

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