Ex-jogador cumpria pena na P2 de Tremembé desde março e agora está no Centro de Ressocialização de Limeira
O ex-jogador Robinho, condenado por estupro na Itália, foi transferido na manhã desta segunda-feira (17), da P2 de Tremembé, no interior de São Paulo, para o Centro de Ressocialização de Limeira. Ele estava no chamado presídio dos famosos desde março de 2024 e deixou a unidade por volta das 8h30, segundo apuração do ge. A Secretaria da Administração Penitenciária foi procurada para comentar a mudança, mas ainda não se manifestou.
A transferência ocorre após a defesa do ex-atleta solicitar à Justiça paulista que ele fosse encaminhado para outra unidade prisional do estado, pedido apresentado no fim de outubro. Na ocasião, o Tribunal negou a solicitação e afirmou que qualquer mudança deveria ser requisitada diretamente à Secretaria da Administração Penitenciária. Mesmo assim, a equipe jurídica já havia indicado três possíveis destinos: Bragança Paulista, Rio Claro e Limeira, para onde Robinho acabou sendo enviado.
No pedido apresentado ao Judiciário, os advogados afirmaram que o ex-jogador mantém conduta exemplar dentro da unidade, sem registros de faltas disciplinares, e é réu primário, com apenas uma condenação criminal. Eles alegaram ainda que o local para onde ele seria enviado deveria oferecer melhores condições de ressocialização e adaptação ao regime prisional.
A movimentação de Robinho ocorre na mesma semana em que outro caso de repercussão nacional passou por mudança semelhante. O empresário Thiago Brennand, condenado por crimes contra quatro mulheres, foi transferido para o presídio José Parada Neto, em Guarulhos, em atendimento a um pedido da própria defesa. Ambos chegaram a aparecer juntos em um vídeo divulgado pelo Conselho da Comunidade de Taubaté, no qual relataram como é a rotina na penitenciária e negaram qualquer tipo de privilégio dentro da P2.
As declarações dos dois foram divulgadas após a repercussão do livro Tremembé, o presídio dos famosos, do jornalista Ulisses Campbell, que detalha bastidores da unidade e relatos envolvendo detentos conhecidos nacionalmente. A defesa de Robinho foi novamente procurada pela reportagem nesta segunda-feira, mas o ex-jogador não atendeu às ligações nem respondeu às mensagens enviadas.
Robinho foi condenado em três instâncias da Justiça italiana pelo estupro em grupo de uma mulher albanesa em 2013. A sentença definitiva foi emitida em janeiro de 2022, pela 3ª Seção Penal do Supremo Tribunal de Cassação, em Roma. A Itália chegou a solicitar a extradição do ex-atleta, mas o governo brasileiro negou o pedido, já que o país não extradita cidadãos natos. Em seguida, as autoridades italianas acionaram o Superior Tribunal de Justiça para que a pena fosse reconhecida no Brasil.
Em março de 2024, o STJ homologou a sentença por nove votos a dois, determinando o cumprimento imediato da pena em regime fechado. Desde então, a defesa apresentou diversos recursos para tentar reverter a prisão ou reduzir o tempo de detenção. Um dos pedidos, baseado em um curso profissionalizante de Eletrônica Básica, Rádio e TV, solicitava a diminuição de 50 dias na pena, mas foi rejeitado pela Justiça.
Aos 41 anos, Robinho está aposentado dos gramados desde 2020, quando disputou sua última partida pelo Istanbul Basaksehir, da Turquia, clube que conquistou o título nacional naquele ano. Mesmo preso, o ex-jogador seguia participando de partidas recreativas no campo de terra da Penitenciária de Tremembé, atividade que fazia parte da sua rotina até a transferência desta segunda-feira.