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Roda-gigante recém-inaugurada trava e deixa público preso em Manaus

Equipamento paralisou com cabines lotadas dois dias após inauguração; Prefeitura fala em vandalismo.

23 de Novembro de 2025
Foto: Divulgação

A roda-gigante instalada na Ponta Negra, em Manaus, travou na noite do último sábado (22), pouco mais de 48 horas após ser inaugurada, deixando dezenas de pessoas presas nas cabines. O equipamento estava lotado no momento da paralisação e vídeos divulgados nas redes sociais mostraram usuários em desespero enquanto aguardavam o resgate. A situação ocorreu durante um dos horários de maior movimento na orla turística da cidade.

Relatos de testemunhas apontam que, antes da chegada do Corpo de Bombeiros, funcionários da empresa responsável tentaram manusear o equipamento sem o uso de equipamentos de proteção individual (EPI). A atitude gerou preocupação entre os presentes, que observavam a tentativa de reativar o sistema manualmente enquanto as cabines permaneciam suspensas.

Pessoas que estavam no brinquedo relataram momentos de pânico devido à altura e à incerteza sobre quando seriam retiradas. Em um dos vídeos, uma jovem aparece chorando e afirmando não querer ter subido no equipamento. O resgate só foi concluído com a chegada de equipes especializadas do Corpo de Bombeiros, que iniciaram a descida controlada das cabines.

O incidente ocorreu em meio a um clima de polêmica envolvendo a operação da roda-gigante. Horas antes, o prefeito de Manaus, David Almeida, afirmou em transmissão ao vivo que a equipe do ex-vereador Amauri Gomes teria ido ao local para “cortar fios” da instalação elétrica. Durante a live, Almeida sugeriu que o travamento poderia estar associado a um ato de sabotagem e afirmou que o caso será investigado.

A atração havia sido inaugurada na quinta-feira (20) com promessa de acessibilidade e preços populares. No entanto, os valores praticados são superiores aos anunciados inicialmente: o ingresso inteiro custa R$ 40 e a meia-entrada R$ 20, chegando a R$ 46 e R$ 23, respectivamente, na compra online devido às taxas. A empresa afirma que haverá bilheteria física sem custos adicionais.

Segundo a Prefeitura, a roda-gigante permanecerá instalada por até seis meses e cada volta dura cerca de dez minutos. A administração municipal reforça que a atração opera mediante outorga onerosa, segue as exigências técnicas do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) e atende a todos os trâmites legais e laudos necessários.

Nota da Prefeitura de Manaus

Em nota oficial divulgada após o incidente, a Prefeitura de Manaus afirmou “repudiar veementemente o ato de vandalismo” que teria violado a caixa de energia que abastece a roda-gigante. De acordo com o município, a ação criminosa ocorreu no mesmo momento em que o equipamento travou e representou risco à segurança dos visitantes.

A administração municipal destacou que a carga de energia utilizada pelo equipamento está dentro dos padrões técnicos exigidos e que a instalação ocorreu de forma legal, baseada em laudos e no Termo de Cessão de Uso Oneroso. A Prefeitura também reforçou que a energia consumida pelos permissionários da Ponta Negra está incluída na taxa de permissão e ocorre dentro da legalidade.

Denúncia prévia

Horas antes do travamento, o ex-vereador Amauri Gomes esteve na Ponta Negra denunciando o que classificou como uma ligação clandestina de energia abastecendo a roda-gigante. Segundo ele, um engenheiro eletricista teria confirmado no local o uso irregular da rede elétrica da Prefeitura para alimentar o equipamento.

Amauri afirmou que acionou a Guarda Municipal, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a Amazonas Energia e que aguardava as equipes quando a roda-gigante parou de funcionar. Ele registrou o caso no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e afirmou que pediu imagens das câmeras do complexo para identificar se houve falha técnica ou sabotagem.

O ex-vereador declarou ainda que passou toda a tarde na área denunciando a situação e que o travamento do equipamento reforçava suas suspeitas. Em transmissão ao vivo, Amauri afirmou: “Quando o equipamento parou, iniciei uma live imediatamente, pois a denúncia feita mais cedo estava se concretizando, colocando a vida daquelas pessoas em risco.”

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