Sindicato anuncia possível paralisação de até 70% da frota na segunda-feira (9), caso salários não sejam depositados até sábado (7). Até o momento, não há confirmação de atraso nos vencimentos de outubro.
O transporte coletivo de Manaus poderá enfrentar uma nova paralisação a partir da próxima segunda-feira (9). O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus anunciou, nesta sexta-feira (6), a possibilidade de suspender a circulação de até 70% da frota de ônibus caso os salários referentes a outubro não sejam pagos até sábado (7). A ameaça foi divulgada pelo presidente da entidade, Givancir de Oliveira, durante uma coletiva de imprensa. Apesar do anúncio, o prazo para pagamento ainda não havia terminado, e não existia confirmação de atraso nos vencimentos do mês.
A decisão de realizar a paralisação foi aprovada em assembleia da categoria na quarta-feira (4). Segundo o sindicato, aproximadamente 7 mil trabalhadores dependem dos pagamentos e temem que as empresas não consigam cumprir o prazo. O movimento está previsto para começar à 0h01 de segunda-feira, caso os valores não sejam depositados. A entidade afirma que a medida é preventiva e que recebeu informações sobre possíveis dificuldades financeiras das empresas responsáveis pelo transporte urbano.
Durante a coletiva, Givancir justificou a decisão e afirmou que os trabalhadores não podem continuar enfrentando incertezas sobre o recebimento dos salários. “Não tem pagamento. E não tem pagamento, ninguém vai trabalhar também. Se não tem pagamento, eu não posso obrigar a categoria a trabalhar”, declarou. O dirigente também pediu desculpas à população pelos possíveis transtornos e informou que o sindicato permanece aberto às negociações para evitar a interrupção do serviço.
Pela legislação trabalhista, os salários mensais devem ser pagos até o quinto dia útil do mês seguinte ao trabalhado. Na contagem geral, o sábado é considerado dia útil, enquanto domingos e feriados são excluídos. Como o Dia de Finados, em 2 de novembro, foi feriado nacional, o quinto dia útil de novembro cai neste sábado (7). Dessa forma, o anúncio da greve ocorreu antes do encerramento do prazo geral de pagamento. Regras específicas de convenção coletiva podem estabelecer condições mais favoráveis aos trabalhadores.
A ameaça acontece em meio ao impasse financeiro envolvendo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e o Governo do Amazonas, relacionado aos repasses do Passe Livre Estudantil. Representantes das empresas alegam que pendências financeiras do programa comprometem o caixa do sistema e dificultam o cumprimento de obrigações trabalhistas. O governo estadual, por sua vez, afirma que os pagamentos referentes a 2026 estão em dia e contesta cobranças relacionadas a períodos anteriores. Até o momento, não foi comprovado que a divergência entre as partes tenha provocado atraso na folha salarial de outubro.
Caso a paralisação aconteça, milhares de passageiros poderão enfrentar dificuldades para chegar ao trabalho, às escolas e a outros compromissos. Segundo a estimativa apresentada pelo sindicato, entre 50% e 70% dos ônibus poderão deixar de circular, mas o percentual representa uma previsão, não uma redução já registrada no serviço. Manaus enfrentou outras paralisações de rodoviários ao longo de 2026, com prejuízos à mobilidade urbana e reclamações de usuários do transporte público.
A realização da greve dependerá do pagamento dos salários dentro do prazo e do resultado das negociações entre trabalhadores e empresas. Até esta sexta-feira (6), não havia confirmação de uma paralisação efetivamente iniciada nem de que os vencimentos de outubro estivessem atrasados. A categoria mantém o alerta para segunda-feira (9), enquanto os passageiros aguardam uma definição sobre o funcionamento dos ônibus na capital amazonense.