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Rodrigo Paz é eleito presidente da Bolívia e encerra 20 anos de hegemonia da esquerda

Senador de centro-direita venceu Jorge “Tuto” Quiroga e promete renovação e consenso nacional

20 de Outubro de 2025
Foto: Divulgação

O senador de centro-direita Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito presidente da Bolívia no último domingo (19), encerrando duas décadas de governos de esquerda no país. Ele venceu o segundo turno com 54,49% dos votos, contra 45,47% de Jorge “Tuto” Quiroga, candidato do partido Aliança Livre. A eleição, considerada histórica, foi marcada por forte polarização e debates centrados na crise econômica e na insegurança pública.

“Este é um momento de mudança, de renovação. Acredito que neste ano bicentenário o país encerra 200 anos de um ciclo e inicia um novo”, declarou Paz, após votar em Tarija, sua cidade natal, no sul do país. O novo presidente afirmou que sua prioridade será promover diálogo e estabilidade política. “Minha abordagem será chegar a um consenso, concordar, fazer as coisas avançarem”, acrescentou.

Rodrigo Paz, filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora, assume o poder com o desafio de restaurar a confiança internacional e equilibrar as contas públicas. Sua proposta de governo combina medidas liberais e ações sociais, em um modelo que ele chama de “capitalismo para todos”. O objetivo é estimular o setor privado sem abandonar programas de apoio à população de baixa renda, marca dos governos socialistas anteriores.

A situação econômica da Bolívia foi o principal tema da campanha. O país enfrenta inflação de 25%, reservas cambiais em queda e déficit fiscal de 13% do PIB, consequência da política de subsídios a combustíveis e alimentos. A escassez de dólares e o câmbio artificial agravam a crise. Paz promete reformas fiscais e monetárias para estabilizar a economia, mas sem medidas abruptas que afetem os mais pobres.

O novo presidente também defende a formalização das atividades informais, que hoje dominam boa parte da economia boliviana. Segundo ele, a falta de controle estatal sobre o comércio, transporte e produção dificulta a arrecadação e prejudica o desenvolvimento. “Precisamos integrar milhões de trabalhadores informais ao sistema produtivo e criar oportunidades de crescimento real”, afirmou durante a campanha.

A segurança pública foi outro ponto sensível da eleição. A Bolívia tem enfrentado uma expansão do narcotráfico e do crime organizado, com indícios de atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no país. Paz prometeu fortalecer as instituições policiais e a cooperação internacional no combate às drogas, ao passo que Quiroga defendia uma política de “tolerância zero”, inspirada em líderes de direita como Nayib Bukele, de El Salvador, e Daniel Noboa, do Equador.

A vitória de Paz representa uma mudança de rumo político após quase 20 anos de domínio da esquerda, sob o comando do Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales e Luis Arce. Durante esse período, o país viveu avanços sociais, mas também crises institucionais e escândalos de corrupção. Analistas apontam que o resultado reflete o desejo de renovação e a insatisfação popular com a deterioração econômica.

Rodrigo Paz tomará posse em janeiro de 2026, com o desafio de unir um país dividido e reequilibrar uma economia em colapso. A expectativa é de que ele busque reconstruir as pontes com investidores estrangeiros, fortalecer a democracia e abrir um novo ciclo político na Bolívia, marcado pelo pragmatismo e pelo diálogo entre diferentes setores da sociedade.

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