Ciência e Tecnologia

Rover da NASA registra primeira aurora em luz visível na superfície de Marte

Fenômeno captado pelo Perseverance confirma brilho verde causado por tempestade solar no planeta vermelho.

17 de Maio de 2025

Primeira imagem em luz visível de uma aurora verde em Marte

Foto: NASA / JPL-Caltech / ASU / MSSS / SSI / Distibuído via Reuters

Pela primeira vez na história, uma aurora foi registrada em luz visível a partir da superfície de outro planeta além da Terra. O feito foi alcançado pelo rover Perseverance, da NASA, que captou imagens do céu de Marte suavemente iluminado por um brilho verde em 18 de março de 2024. 

O fenômeno ocorreu após partículas superenergéticas emitidas pelo Sol atingirem a atmosfera marciana, desencadeando uma reação que gerou a aurora. Embora já tivessem sido observadas auroras em Marte anteriormente por satélites em órbita, sempre em comprimentos de onda ultravioleta, essa foi a primeira vez que o fenômeno foi visto em luz visível. 

Três dias antes do registro, uma erupção solar acompanhada por uma ejeção de massa coronal foi lançada pelo Sol. A explosão liberou grande quantidade de gás e energia magnética, espalhando partículas energéticas por todo o sistema solar. Marte, quarto planeta a partir do Sol, foi diretamente impactado. 

Antecipando o evento, cientistas da missão prepararam os instrumentos do Perseverance para capturar a aurora. O rover é equipado com dois dispositivos sensíveis a comprimentos de onda visíveis, aqueles que os olhos humanos são capazes de enxergar. O espectrômetro SuperCam foi usado para identificar precisamente o comprimento de onda do brilho, enquanto a câmera Mastcam-Z registrou a imagem do céu com o tom esverdeado. 

A formação da aurora em Marte se dá de maneira semelhante à da Terra: partículas carregadas colidem com átomos e moléculas da atmosfera, fazendo com que elétrons emitam fótons, partículas de luz. A diferença fundamental está na ausência de um campo magnético global em Marte. 

"Mas na Terra, as partículas carregadas são canalizadas para as regiões polares pelo campo magnético global do nosso planeta", disse Elise Wright Knutsen, pesquisadora de pós-doutorado do Centro de Sensores e Sistemas Espaciais da Universidade de Oslo e principal autora do estudo publicado nesta semana na revista Science Advances. 

"Marte não tem um campo magnético global, de modo que as partículas carregadas bombardearam todo o planeta ao mesmo tempo, o que levou a essa aurora planetária", acrescentou Knutsen. 

O brilho esverdeado ocorreu devido à interação entre as partículas solares e o oxigênio presente na atmosfera marciana. Embora auroras na Terra possam ser extremamente intensas, a observada em Marte foi considerada bastante fraca. 

"Essa aurora específica que observamos em 18 de março do ano passado teria sido muito fraca para ser vista diretamente pelos humanos. Mas se tivermos uma tempestade solar mais intensa, ela poderá se tornar brilhante o suficiente para ser vista por futuros astronautas. E com uma câmera, como a de um iPhone, você a veria claramente, da mesma forma que uma aurora na Terra é sempre mais brilhante em imagens do que a olho nu", disse Knutsen. 

O evento não teve qualquer impacto sobre a Terra. 

Os cientistas já haviam registrado auroras em todos os planetas com atmosfera no sistema solar. Em Marte, até então, todos os registros haviam sido feitos em ultravioleta, e com formatos distintos. 

"Vários tipos e comprimentos de onda de auroras já foram observados anteriormente por satélites em órbita de Marte. Todas as observações anteriores foram em ultravioleta, mas apresentaram formas bastante diferentes", explicou Knutsen. 

Caso missões tripuladas à Marte venham a ocorrer, futuras gerações de astronautas poderão observar de perto o espetáculo celeste. 

"Durante uma tempestade solar mais intensa, que produza uma aurora mais brilhante, acho que um céu que brilha verde de horizonte a horizonte será assustadoramente belo", concluiu Knutsen. 

 

Com informações da Reuters.

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