"Não podemos considerar nenhuma opção" quando se trata de forças de paz europeias, disse Lavrov durante uma visita ao Catar.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse na quarta-feira (26) que Moscou não poderia considerar "nenhuma opção" para o envio de forças de paz europeias à Ucrânia e que a ideia tinha como objetivo alimentar o conflito e dificultar sua redução.
O presidente francês Emmanuel Macron falou a favor do conceito durante as conversas com o presidente dos EUA Donald Trump na segunda-feira, dizendo que tropas poderiam ser mobilizadas para garantir que qualquer acordo de paz fosse respeitado. Trump disse que aceitou a ideia e que o presidente russo Vladimir Putin também, embora o Kremlin tenha indicado mais tarde que a oposição russa a ela não mudou.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer, que deve conversar com Trump na quinta-feira, disse que estaria pronto para enviar tropas britânicas para a Ucrânia como parte de qualquer força de paz do pós-guerra.
Mas Lavrov, que anteriormente chamou a proposta de "inaceitável", expôs as objeções de Moscou a qualquer implantação em alguns dos termos mais fortes até agora, removendo qualquer dúvida sobre o assunto após a sugestão de Trump de que Putin havia aceitado a ideia.
"Não podemos considerar nenhuma opção" quando se trata de forças de paz europeias, disse ele durante uma visita ao Catar.
"Trump disse que uma decisão sobre a implantação de forças de manutenção da paz só seria possível com o consentimento de ambos os lados. Aparentemente se referindo a nós e à Ucrânia. Ninguém nos perguntou sobre isso", disse Lavrov, que alguns diplomatas ocidentais apelidaram de "Doutor Não" por causa de seu hábito de frequentemente expressar as objeções de Moscou a várias iniciativas ocidentais.
"Essa abordagem, que está sendo imposta pelos europeus, principalmente pela França, mas também pelos britânicos, visa o que acabei de mencionar: alimentar ainda mais o conflito e impedir qualquer tentativa de acalmá-lo."
Reforçando a abordagem maximalista da Rússia até agora para qualquer possível acordo sobre a Ucrânia, Lavrov indicou que Moscou ainda quer controle total sobre quatro regiões que reivindica como suas em qualquer acordo, apesar das objeções ucranianas.
Ele também disse que não haveria um acordo que deixasse os dois lados se enfrentando ao longo de uma linha de contato, indicando que Moscou estava interessada em uma solução que deixaria o território que permanece sob o controle da Ucrânia menos hostil à Rússia e aos falantes de russo.
A Ucrânia negou repetidamente as afirmações russas de que reprimiu russos étnicos e falantes de russo em seu território.
"Portanto, não podemos escapar com medidas técnicas tão simples como mobilizar tropas. Precisamos falar sobre as causas raiz (do conflito)", disse Lavrov.
"As causas principais foram a (tentativa de) arrastar a Ucrânia para a OTAN e a erradicação total dos direitos dos russos e dos povos de língua russa."
Reprodução REUTERS.