Declaração de Moscou ocorre após Donald Trump autorizar retomada dos testes nucleares e acusar Rússia e China de realizarem detonações secretas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe o presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante encontro para negociações na Base Conjunta Elmendorf-Richardson, em Anchorage, Alasca O presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu o presidente da Rússia, Vladimir P
A Rússia afirmou neste domingo (9) que realizará testes nucleares caso os Estados Unidos voltem a conduzir experimentos do tipo. A declaração foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em entrevista à emissora estatal “Russia 1”.
Segundo Peskov, Moscou não tem intenção de violar seus compromissos internacionais que proíbem testes nucleares, mas poderá agir de forma espelhada caso Washington decida romper o acordo. “(O presidente russo Vladimir) Putin declarou repetidamente que a Rússia continua comprometida com seus compromissos de proibição de testes nucleares, e não temos intenção de fazê-lo”, afirmou.
A resposta russa ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar no fim de outubro que autorizou seu governo a retomar os testes nucleares, encerrando uma pausa de mais de 30 anos. Trump justificou a medida acusando a Rússia e a China de conduzirem experimentos secretos, supostamente proibidos pelos tratados internacionais.
O governo russo pediu explicações formais aos Estados Unidos sobre o significado da declaração. Peskov reiterou que Moscou “não descarta nenhuma medida” diante do novo posicionamento americano e que o país está avaliando seus próximos passos para “garantir equilíbrio estratégico”.
Em entrevista à emissora “CBS”, Trump voltou a afirmar que “a Rússia testa [armas nucleares], a China testa, mas eles não falam sobre isso”. O presidente americano, no entanto, não apresentou provas. “Eles fazem testes em locais de grande profundidade, onde as pessoas não sabem exatamente o que está acontecendo”, disse. Trump acrescentou que “não quer ser o único país que não realiza testes nucleares”.
As declarações do líder americano geraram forte reação internacional. Governos da Rússia, China, além da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Comissão Preparatória do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO), criticaram a decisão, alertando para os riscos de uma nova corrida armamentista.
A China negou as acusações de Trump. “A China sempre aderiu ao caminho de um desenvolvimento pacífico, segue a política de não ser a primeira a usar armas nucleares, defende uma estratégia nuclear de autodefesa e respeita seu compromisso de suspender os testes nucleares”, afirmou a porta-voz da diplomacia chinesa, Mao Ning.
Atualmente, Estados Unidos e Rússia concentram mais de 5 mil ogivas nucleares cada, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri). A China, por sua vez, vem expandindo rapidamente seu arsenal, que passou de 300 para 600 ogivas em cinco anos, de acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Nenhum país, além da Coreia do Norte, realizou uma detonação nuclear nas últimas décadas. A Rússia não conduz testes desde 1990, e a China, desde 1996. A Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO) registrou apenas seis testes em todo o século XXI. O secretário-executivo da entidade, Robert Floyd, alertou que “qualquer novo teste seria capaz de desestabilizar a segurança mundial”.
O Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT) foi assinado em 1996 por 186 países, incluindo todas as potências nucleares da época, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China, mas ainda não entrou em vigor. A Coreia do Norte é o único país que não o assinou.
Donald Trump anunciou oficialmente a retomada dos testes nucleares em suas redes sociais na quinta-feira passada, pouco antes de uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping, na Coreia do Sul. Poucos dias antes, a Rússia havia confirmado testes do míssil de cruzeiro Burevestnik e de um drone submarino com propulsão nuclear.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, tentou amenizar as declarações do presidente, afirmando que os ensaios previstos “não envolvem explosões nucleares”. “Acho que os testes de que estamos falando agora são testes de sistemas. Não são explosões nucleares”, explicou em entrevista à Fox News. “Estes são o que chamamos de ‘explosões não críticas’, então você está testando todas as outras partes de uma arma nuclear para garantir que entreguem a geometria apropriada e preparem a explosão nuclear”, completou.
Com informações do G1*