Acordo prevê libertação de mil pessoas, mas cessar-fogo ainda não foi firmado.
Prisioneiros ucranianos posam após troca com a Rússia, a maior desde o início da guerra, iniciada em 2022.
Rússia e Ucrânia libertaram, nesta sexta-feira (23), 390 prisioneiros cada uma, no que já é considerada a maior troca de prisioneiros desde o início da guerra entre os dois países. Ambas as nações afirmaram que mais libertações estão previstas nos próximos dias.
O acordo, que prevê a troca de mil prisioneiros, foi o único avanço prático resultante de duas horas de negociações na semana passada, realizadas em Istambul, o primeiro encontro direto entre as partes em mais de três anos de conflito.
Apesar da troca, não houve acordo sobre o cessar-fogo sugerido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, cada país liberou 270 militares e 120 civis. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou o número e disse que novas liberações ocorrerão no sábado e no domingo.
Autoridades ucranianas chegaram a pedir que jornalistas se posicionassem em um ponto específico da região de Chernihiv, onde era esperada a chegada de alguns prisioneiros libertados.
Pelas redes sociais, Trump comentou a negociação: “Parabéns a ambos os lados por essa negociação. Isso pode levar a algo grande???”
O conflito, considerado o mais sangrento da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, já provocou centenas de milhares de mortes e feridos entre soldados dos dois lados, além de dezenas de milhares de civis ucranianos mortos em bombardeios e cercos feitos pelas forças russas.
Segundo o Ministério da Defesa russo, os civis libertados foram capturados na região de Kursk, em território russo, durante uma incursão militar ucraniana no ano passado. Todos os militares e civis russos libertados foram levados para Belarus, onde recebem apoio psicológico e atendimento médico antes de retornarem à Rússia.
Proposta de cessar-fogo não avança
A Ucrânia declarou estar disposta a aceitar imediatamente um cessar-fogo de 30 dias. Entretanto, a Rússia, que invadiu o território ucraniano em 2022 e atualmente ocupa cerca de 20% do país vizinho, se recusa a interromper os ataques sem que certas condições sejam atendidas previamente.
Enquanto isso, os combates continuam. Nesta sexta-feira, Moscou informou que suas forças capturaram o assentamento de Rakivka, na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia.
Além disso, Oleh Kiper, governador da região de Odessa, denunciou que dois mísseis russos atingiram a infraestrutura portuária local, matando uma pessoa e ferindo outras oito.
Com informações da Reuters.