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Rússia lança mais de 400 mísseis e drones contra Ucrânia; sete morrem, incluindo crianças

Bombardeio atinge escolas e infraestrutura energética; Zelensky pede novas sanções e reforço internacional contra Moscou

22 de Outubro de 2025
Foto: Serviço de emergências da Ucrânia/Handout via REUTERS

A Rússia realizou um novo e devastador ataque aéreo contra a Ucrânia na madrugada desta quarta-feira (22), lançando mais de 400 mísseis e drones em diferentes regiões do país. Segundo as autoridades ucranianas, sete pessoas morreram, incluindo duas crianças, e dezenas ficaram feridas. O bombardeio causou danos severos à infraestrutura energética e atingiu inclusive um jardim de infância, ampliando a tensão entre Moscou e Kiev às vésperas do inverno europeu.

O ataque ocorreu poucas horas depois de os governos dos Estados Unidos e da Rússia confirmarem a suspensão de um possível encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, que discutiriam um cessar-fogo para o conflito que se aproxima de completar quatro anos. A ofensiva russa foi considerada uma resposta direta ao impasse diplomático, e provocou forte reação internacional.

De acordo com o Exército ucraniano, foram utilizados 405 drones e 28 mísseis, dos quais 333 drones e 16 mísseis foram abatidos pelas defesas aéreas. As explosões ocorreram ao longo da noite e se estenderam até o início da manhã. Cidades como Kiev, Kharkiv, Odessa, Sumy, Zaporizhzhia e Poltava foram atingidas. Cortes de energia foram registrados em todo o país, segundo o Ministério da Energia da Ucrânia.

O presidente Volodymyr Zelensky condenou o ataque, classificando-o como “uma cusparada na cara de todos que ainda acreditam numa solução pacífica”. Ele voltou a pedir novas sanções contra a Rússia e afirmou que Moscou “não sente pressão suficiente para encurtar a guerra”. Um jardim de infância em Kharkiv foi um dos locais atingidos. Cinco crianças ficaram feridas e foram hospitalizadas com sintomas de estresse agudo. “Não há justificativa possível para atacar um jardim de infância”, declarou o líder ucraniano.

O Ministério da Defesa russo confirmou a ofensiva, alegando que os alvos eram instalações de energia e infraestruturas ligadas ao complexo militar-industrial ucraniano. Em comunicado, o governo de Moscou disse ter utilizado mísseis balísticos hipersônicos e drones de longo alcance, afirmando que “todos os objetivos foram alcançados com sucesso”.

Em Kiev, duas pessoas morreram diretamente em consequência das explosões, enquanto outras quatro, incluindo duas crianças, perderam a vida nos arredores da capital. Na região de Zaporizhzhia, 13 pessoas ficaram feridas, e em Sumy, nove foram hospitalizadas após um drone atingir uma avenida movimentada. O prefeito da capital, Vitali Klitschko, relatou incêndios em diversos bairros e disse que equipes de resgate trabalham em meio aos destroços.

Além das mortes, o ataque paralisou parte da rede energética ucraniana. O Ministério da Energia denunciou ataques sucessivos a usinas e refinarias de petróleo, especialmente na região central de Poltava, onde estruturas de gás e combustível foram danificadas. Como resposta, a Ucrânia afirmou ter bombardeado uma fábrica de armas na região russa da Mordóvia e uma refinaria no Daguestão.

Os ataques russos intensificam o clima de tensão internacional após a suspensão da cúpula entre Trump e Putin. A Casa Branca afirmou que não há planos de retomar as negociações, enquanto Moscou declarou que “ainda existem muitas questões em aberto”. Para Kiev, o recuo diplomático e o novo bombardeio demonstram que o Kremlin não tem interesse em cessar o conflito, reforçando a necessidade de apoio internacional para conter a escalada militar.

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