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Rússia questiona Vaticano como sede para negociações de paz sobre a Ucrânia

Sergei Lavrov diz que local não seria confortável para países de maioria ortodoxa.

23 de Maio de 2025
Foto: Reuters / Maxim Shemetov

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, colocou em dúvida nesta sexta-feira (23) a escolha do Vaticano como possível sede para negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. Segundo ele, o local pode não ser adequado para dois países de maioria cristã ortodoxa.

A possibilidade foi levantada após a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmar na última terça-feira (20) que o papa Leão XIV expressou disposição em sediar as conversas durante uma ligação telefônica. O Vaticano, no entanto, não comentou oficialmente.

O papa Leão, o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos, afirmou após sua eleição neste mês que o Vaticano estaria disponível para atuar como mediador em conflitos internacionais, sem citar diretamente a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Falando na Academia Diplomática em Moscou, Lavrov descartou qualquer definição sobre um possível local para as negociações e demonstrou ceticismo quanto ao Vaticano.

"Muitas pessoas estão fantasiando sobre quando e onde ela [a reunião] será realizada. Não temos nenhuma ideia neste momento", disse Lavrov.

Ele foi além e questionou diretamente a escolha. "Mas imagine o Vaticano como um local para as negociações. Seria um pouco deselegante para os países ortodoxos usarem uma plataforma católica para discutir questões sobre como remover as causas básicas [do conflito]."

"Acho que não seria muito confortável para o próprio Vaticano receber delegações de dois países ortodoxos nessas circunstâncias", completou o ministro russo.

No início deste mês, Rússia e Ucrânia retomaram o primeiro encontro direto em mais de três anos, realizado em Istambul, na Turquia.

Lavrov também acusa Kiev de discriminação contra russos

Além das críticas sobre o local das negociações, Lavrov voltou a acusar a Ucrânia de discriminar falantes de língua russa.

Segundo ele, Moscou não aceitará que essas pessoas continuem vivendo sob o governo que classificou como "junta", liderado pelo presidente Volodymyr Zelensky.

Seria um "crime" para a Rússia aceitar tal situação, afirmou o ministro, acrescentando que a solução mais simples seria que a comunidade internacional exigisse que Kiev anulasse "leis que discriminam as pessoas que falam o idioma russo".

O governo ucraniano nega qualquer acusação de discriminação.

Lavrov também voltou a defender que sejam realizadas eleições presidenciais na Ucrânia, o que, segundo ele, permitiria que Moscou firmasse um acordo de paz com um governo considerado legítimo.

O presidente Zelensky, no entanto, rejeita essa narrativa. As eleições não ocorreram após o fim de seu mandato, em maio de 2024, porque o país segue sob lei marcial devido à guerra, o que suspende o calendário eleitoral.

 

Com informações da Reuters.

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