Plataforma de autoexclusão começa em 10 de dezembro e rede pública terá atendimento especializado
Jogos e apostas online se popularizaram no país e já causam impactos financeiros e de saúde à população. Para conter o avanço do vício, os ministérios da Saúde e da Fazenda anunciaram novas medidas voltadas à prevenção e ao cuidado. As ações incluem apoio psicológico e restrições aos jogadores que buscam interromper o hábito.
Um acordo entre as pastas prevê a criação de uma plataforma de autoexclusão. A partir de 10 de dezembro, o usuário poderá pedir bloqueio em sites de apostas e impedir que seu CPF seja usado em novos cadastros ou receba publicidade das bets. O governo calcula perdas econômicas e sociais de R$ 38,8 bilhões por ano com esse tipo de jogo.
O plano também cria o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, que vai compartilhar dados e identificar padrões de compulsão. O objetivo é conectar os apostadores em risco aos serviços do SUS e ampliar o acesso ao cuidado em saúde mental. A rede pública oferecerá orientação pelo Meu SUS Digital e pela Ouvidoria do SUS.
O Ministério da Saúde lançou uma linha de cuidado específica para dependência em jogos. A partir de fevereiro de 2026, serão oferecidos 450 teleatendimentos mensais em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Em casos necessários, haverá encaminhamento para atendimento presencial.
O governo reforça que o setor de apostas agora tem regras claras. Crianças, beneficiários do Bolsa Família e do BPC não podem usar o CPF para jogar. Dados do SUS mostram alta nos atendimentos: foram 2.262 em 2023, 3.490 em 2024 e quase 2 mil só no primeiro semestre de 2025. A maioria dos pacientes é homem, jovem e em situação de vulnerabilidade social.